21 de Dezembro
Silva e Pinheiro
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
O senhor Pinheiro é um emproado . Quando chega ao trabalho, não cumprimenta ninguém e vai logo enfiar-se no seu gabinete, como se fosse a única pessoa daquele escritório.
Em contrapartida, o senhor Silva é um homem gentil, sempre de sorriso afável e muito amigo de ajudar. Lá no escritório, todos gostam dele.
Estava eu a meditar nas diferenças do mundo e comportamento oposto dos meus dois colegas, quando me ocorreu esta história ou fábula entre um pinheiro e uma silva.
Era a árvore mais imponente do lugar. De pescoço altivo, o pinheiro bravo não prestava atenção aos seus vizinhos de baixo, pinheiritos jovens e alguns arbustos, como a silva, a ensarilhar uma moita.
Mas a silva, enervada com tanta prosápia , interpelou-o, como quem pede explicações:
- Fale à gente. Somos todos cidadãos do reino vegetal, uns mais altos do que os outros, mas todos com raízes no mesmo chão.
- Julgas tu - respondeu-lhe o pinheiro. - Eu pertenço mais ao céu do que à terra. Os meus ramos e a minha copa quase tocam as nuvens.
Não tenho nada a ver com vocês, insignificantes e rasteiras plantas, a cobrirem-se de pó.
No meio do seu emaranhado de picos, a silva mais se retorceu de indignação, mas não quis sustentar a disputa. Àquele pinheiro nada o convencia.
Convenceu-o um lenhador, que por ali passou. Bateu no tronco possante e disse:
- Está na conta.
E começou à machadada ao pinheiro. A desmoronar-se sobre a terra, num grande gemido, o pinheiro formulou um último desejo: "Quem me dera ser silva...". Mas não lhe serviu de nada.
Um dia destes, hei-de dar a ler esta história ao senhor Pinheiro. Talvez dela tire algum proveito, quem sabe?
António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.
O senhor Pinheiro é um emproado . Quando chega ao trabalho, não cumprimenta ninguém e vai logo enfiar-se no seu gabinete, como se fosse a única pessoa daquele escritório.
Em contrapartida, o senhor Silva é um homem gentil, sempre de sorriso afável e muito amigo de ajudar. Lá no escritório, todos gostam dele.
Estava eu a meditar nas diferenças do mundo e comportamento oposto dos meus dois colegas, quando me ocorreu esta história ou fábula entre um pinheiro e uma silva.
Era a árvore mais imponente do lugar. De pescoço altivo, o pinheiro bravo não prestava atenção aos seus vizinhos de baixo, pinheiritos jovens e alguns arbustos, como a silva, a ensarilhar uma moita.
Mas a silva, enervada com tanta prosápia , interpelou-o, como quem pede explicações:
- Fale à gente. Somos todos cidadãos do reino vegetal, uns mais altos do que os outros, mas todos com raízes no mesmo chão.
- Julgas tu - respondeu-lhe o pinheiro. - Eu pertenço mais ao céu do que à terra. Os meus ramos e a minha copa quase tocam as nuvens.
Não tenho nada a ver com vocês, insignificantes e rasteiras plantas, a cobrirem-se de pó.
No meio do seu emaranhado de picos, a silva mais se retorceu de indignação, mas não quis sustentar a disputa. Àquele pinheiro nada o convencia.
Convenceu-o um lenhador, que por ali passou. Bateu no tronco possante e disse:
- Está na conta.
E começou à machadada ao pinheiro. A desmoronar-se sobre a terra, num grande gemido, o pinheiro formulou um último desejo: "Quem me dera ser silva...". Mas não lhe serviu de nada.
Um dia destes, hei-de dar a ler esta história ao senhor Pinheiro. Talvez dela tire algum proveito, quem sabe?
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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.
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