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| Silva e Pinheiro António Torrado Cristina Malaquias | |
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| O senhor Pinheiro é um emproado. Quando chega ao trabalho, não cumprimenta ninguém e vai logo enfiar-se no seu gabinete, como se fosse a única pessoa daquele escritório.
Em contrapartida, o senhor Silva é um homem gentil, sempre de sorriso afável e muito amigo de ajudar. Lá no escritório, todos gostam dele. | |
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| Estava eu a meditar nas diferenças do mundo e comportamento oposto dos meus dois colegas, quando me ocorreu esta história ou fábula entre um pinheiro e uma silva.
Era a árvore mais imponente do lugar. De pescoço altivo, o pinheiro bravo não prestava atenção aos seus vizinhos de baixo, pinheiritos jovens e alguns arbustos, como a silva, a ensarilhar uma moita. | |
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| Mas a silva, enervada com tanta prosápia, interpelou-o, como quem pede explicações:
- Fale à gente. Somos todos cidadãos do reino vegetal, uns mais altos do que os outros, mas todos com raízes no mesmo chão.
- Julgas tu - respondeu-lhe o pinheiro. - Eu pertenço mais ao céu do que à terra. Os meus ramos e a minha copa quase tocam as nuvens. | |
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| Não tenho nada a ver com vocês, insignificantes e rasteiras plantas, a cobrirem-se de pó.
No meio do seu emaranhado de picos, a silva mais se retorceu de indignação, mas não quis sustentar a disputa. Àquele pinheiro nada o convencia.
Convenceu-o um lenhador, que por ali passou. Bateu no tronco possante e disse:
- Está na conta. | |
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