1 de Novembro
O Anjo Perdido
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
Perdeu-se um anjo na minha rua.
É uma rua pequena, sem nada de especial. Vai dar a uma rua mais larga, a que as pessoas da vila chamam Rua da República, só porque em todas as vilas que se prezam tem de haver uma Rua da República.
Quando eu digo onde moro, tenho de explicar que é uma ruazinha transversal à Rua da República, senão ninguém sabe.
Pois foi logo a esta ruazinha insignificante que veio ter um anjo. É evidente que está perdido. Olha para um lado e olha para o outro, sem saber para que lado seguir ou voar. Faz beicinho o anjo. Chora.
Eu, que estou à janela, desço logo à rua, em socorro do pequeno anjo. Devia ser ao contrário. Os anjos é que costumam ajudar as pessoas. Não faz muito sentido que seja uma pessoa a ajudar um anjo.
Aproximo-me dele e percebo porque chora. Além de estar perdido, não consegue voar. Tem uma das asas descaídas, coitadinho.
Chama pela mamã, em lágrimas. Fico confuso. Quem serão as mães dos anjos?
Mas tudo se esclarece. Na Rua da República, depois da esquina da minha rua, vai a passar a banda dos bombeiros, vestida de gala, a tocar uma marcha solene. É tarde de procissão na vila.
Este anjinho ia atrás do andor de S. Sebastião, crivado de setas, mas sentiu uma imperiosa necessidade de fazer chichi e foi levantar a túnica, junto a um tapume da minha rua. Indiferente ao caso particular deste anjo, a procissão prosseguiu, rua adiante.
Peguei no anjinho ao colo e lá o pus no bom caminho, junto com os outros, atrás do andor de S. Sebastião. Ele, que vinha a fungar, limpou as lágrimas e o nariz com as costas da mão, e nem me agradeceu. Pouco me importa. Saio desta história consolado. Salvei um anjo de se perder.
António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.
Perdeu-se um anjo na minha rua.
É uma rua pequena, sem nada de especial. Vai dar a uma rua mais larga, a que as pessoas da vila chamam Rua da República, só porque em todas as vilas que se prezam tem de haver uma Rua da República.
Quando eu digo onde moro, tenho de explicar que é uma ruazinha transversal à Rua da República, senão ninguém sabe.
Pois foi logo a esta ruazinha insignificante que veio ter um anjo. É evidente que está perdido. Olha para um lado e olha para o outro, sem saber para que lado seguir ou voar. Faz beicinho o anjo. Chora.
Eu, que estou à janela, desço logo à rua, em socorro do pequeno anjo. Devia ser ao contrário. Os anjos é que costumam ajudar as pessoas. Não faz muito sentido que seja uma pessoa a ajudar um anjo.
Aproximo-me dele e percebo porque chora. Além de estar perdido, não consegue voar. Tem uma das asas descaídas, coitadinho.
Chama pela mamã, em lágrimas. Fico confuso. Quem serão as mães dos anjos?
Mas tudo se esclarece. Na Rua da República, depois da esquina da minha rua, vai a passar a banda dos bombeiros, vestida de gala, a tocar uma marcha solene. É tarde de procissão na vila.
Este anjinho ia atrás do andor de S. Sebastião, crivado de setas, mas sentiu uma imperiosa necessidade de fazer chichi e foi levantar a túnica, junto a um tapume da minha rua. Indiferente ao caso particular deste anjo, a procissão prosseguiu, rua adiante.
Peguei no anjinho ao colo e lá o pus no bom caminho, junto com os outros, atrás do andor de S. Sebastião. Ele, que vinha a fungar, limpou as lágrimas e o nariz com as costas da mão, e nem me agradeceu. Pouco me importa. Saio desta história consolado. Salvei um anjo de se perder.
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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.
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Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.
Recuperação
Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. O texto narrativo foi recuperado da página HTML original arquivada. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.
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