| |
|
| O Anjo Perdido António Torrado Cristina Malaquias | |
| | |
| Perdeu-se um anjo na minha rua.
É uma rua pequena, sem nada de especial. Vai dar a uma rua mais larga, a que as pessoas da vila chamam Rua da República, só porque em todas as vilas que se prezam tem de haver uma Rua da República. | |
| | |
| Quando eu digo onde moro, tenho de explicar que é uma ruazinha transversal à Rua da República, senão ninguém sabe.
Pois foi logo a esta ruazinha insignificante que veio ter um anjo. É evidente que está perdido. Olha para um lado e olha para o outro, sem saber para que lado seguir ou voar. Faz beicinho o anjo. Chora. | |
| | |
| Eu, que estou à janela, desço logo à rua, em socorro do pequeno anjo. Devia ser ao contrário. Os anjos é que costumam ajudar as pessoas. Não faz muito sentido que seja uma pessoa a ajudar um anjo.
Aproximo-me dele e percebo porque chora. Além de estar perdido, não consegue voar. Tem uma das asas descaídas, coitadinho. | |
| | |
| Chama pela mamã, em lágrimas. Fico confuso. Quem serão as mães dos anjos?
Mas tudo se esclarece. Na Rua da República, depois da esquina da minha rua, vai a passar a banda dos bombeiros, vestida de gala, a tocar uma marcha solene. É tarde de procissão na vila. | |
| | |
| | |
| | |
| Copyright
© 2003 APENA, APDD Cofinanciado pelo POSI e pela Presidência do Conselho de Ministros |