• Texto original recuperado
  • Ilustração original recuperada
  • PDF recuperado
  • Áudio original em Flash
  • Narração sintetizada
Ilustração de abertura da história «Os quatro irmãos».

22 de Setembro

Os quatro irmãos

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Era uma vez um rei chamado Sol. Todos o conhecem. Todos o estimam.

Poderoso, os seus raios são espadas. Majestoso, os seus raios são de ouro e mais do que todo o ouro valem. Generoso, os seus raios são fios de vida.

Poderoso, majestoso e generoso era este rei, mas tinha um grande desgosto - os seus quatro filhos davam-se muito mal uns com os outros.

Chamavam-se os quatro irmãos, por ordem de idade, a começar pelo mais novo: Primavera, Verão, Outono e Inverno.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Bulhavam constantemente, porque todos queriam, à uma, governar a Terra. Ora isto não podia ser.

Assim pensando, o rei Sol decidiu que cada um deles governasse por sua vez, durante um certo tempo. As ordens de um pai, para mais rei, e ainda por cima Sol, têm de se cumprir.

O Outono não gostava desta partilha. Queixava-se de que lhe não davam tempo...

Ainda estava ele a arrumar e a alindar a casa, pintando tudo da cor da púrpura, em tons e meios tons amarelos doirados, e já o Inverno lhe batia à porta. Então o Outono tinha uma birra e arrancava as folhas das árvores, algumas ainda por pintar...

Saía o Outono com lágrimas nos olhos e entrava o Inverno.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

-- Em que desordem isto está - exclamava ele, irritado.

E punha-se a varrer. Varria com tanta força que fazia vento. Depois lavava, em grandes bátegas de água, caídas do céu... As sementes e os grãozinhos, que o Outono deitara à terra, assustavam-se:

- Iremos nós também na cheia? - perguntavam uns para os outros.

O Inverno ouvia-os e dizia-lhes:

- Sosseguem! Durmam descansados. Vai tudo dormir um longo sono. Assim tem de ser.

E tão carinhoso ele era que cobria os lugares mais desprotegidos da terra com um manto branco de neve.

Lá fora, a Primavera impacientava-se.

Não tinha feitio para suportar os vagares do irmão. Às vezes, não se continha que não perguntasse pela frincha da porta:

- Já posso?

Ainda era cedo, mas só de lhe ouvirem a voz, as primeiras flores rompiam a terra.

Então, quando ela chegava, era uma festa.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Corria a Primavera de lés a lés e não havia ervinha, folha, haste, flor que não quisesse dançar com ela. Era uma enorme roda de alegria.

Mas a folgança não podia continuar sempre. Cansada do bailarico, a Primavera dava de bom grado o seu lugar ao Verão.

- Vamos trabalhar - dizia ele, assim que chegava.

E trabalhava-se, pois então!

Os grãos e os frutos amadureciam. As flores arrecadavam tesouros. Nas tocas, nos ninhos, nos cortiços e por toda a parte, as palavras de ordem eram: trabalhar, colher, guardar.

Enquanto, nas praias, uns gozavam as férias, outros, no campo, não tinham descanso.

- O essencial fica feito.

Deixo os retoques ao cuidado do meu irmão Outono - dizia o Verão, à despedida.

Lá vinha o Outono, com pincel e tintas apurar as cores. Achava sempre que merecia mais tempo. São tantas as tonalidades, do verde-escuro ao castanho, do laranja ao vermelho... Não se pode fazer obra asseada quando se sente os passos do Inverno a aproximar-se. Que nervos!

Sorrindo no seu trono, o Sol acompanhava a obra dos seus quatro filhos. Descansa. Eles estão a dar muito boa conta de si.

E o Sol, risonho, ainda mais resplandece.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para Os quatro irmãos
Ilustração original recuperada

Era uma vez um rei chamado Sol. Todos o conhecem. Todos o estimam.

Poderoso, os seus raios são espadas. Majestoso, os seus raios são de ouro e mais do que todo o ouro valem. Generoso, os seus raios são fios de vida.

Poderoso, majestoso e generoso era este rei, mas tinha um grande desgosto - os seus quatro filhos davam-se muito mal uns com os outros.

Chamavam-se os quatro irmãos, por ordem de idade, a começar pelo mais novo: Primavera, Verão, Outono e Inverno.

Bulhavam constantemente, porque todos queriam, à uma, governar a Terra. Ora isto não podia ser.

Assim pensando, o rei Sol decidiu que cada um deles governasse por sua vez, durante um certo tempo. As ordens de um pai, para mais rei, e ainda por cima Sol, têm de se cumprir.

O Outono não gostava desta partilha. Queixava-se de que lhe não davam tempo...

Ainda estava ele a arrumar e a alindar a casa, pintando tudo da cor da púrpura, em tons e meios tons amarelos doirados, e já o Inverno lhe batia à porta. Então o Outono tinha uma birra e arrancava as folhas das árvores, algumas ainda por pintar...

Saía o Outono com lágrimas nos olhos e entrava o Inverno.

-- Em que desordem isto está - exclamava ele, irritado.

E punha-se a varrer. Varria com tanta força que fazia vento. Depois lavava, em grandes bátegas de água, caídas do céu... As sementes e os grãozinhos, que o Outono deitara à terra, assustavam-se:

- Iremos nós também na cheia? - perguntavam uns para os outros.

O Inverno ouvia-os e dizia-lhes:

- Sosseguem! Durmam descansados. Vai tudo dormir um longo sono. Assim tem de ser.

E tão carinhoso ele era que cobria os lugares mais desprotegidos da terra com um manto branco de neve.

Lá fora, a Primavera impacientava-se.

Não tinha feitio para suportar os vagares do irmão. Às vezes, não se continha que não perguntasse pela frincha da porta:

- Já posso?

Ainda era cedo, mas só de lhe ouvirem a voz, as primeiras flores rompiam a terra.

Então, quando ela chegava, era uma festa.

Corria a Primavera de lés a lés e não havia ervinha, folha, haste, flor que não quisesse dançar com ela. Era uma enorme roda de alegria.

Mas a folgança não podia continuar sempre. Cansada do bailarico, a Primavera dava de bom grado o seu lugar ao Verão.

- Vamos trabalhar - dizia ele, assim que chegava.

E trabalhava-se, pois então!

Os grãos e os frutos amadureciam. As flores arrecadavam tesouros. Nas tocas, nos ninhos, nos cortiços e por toda a parte, as palavras de ordem eram: trabalhar, colher, guardar.

Enquanto, nas praias, uns gozavam as férias, outros, no campo, não tinham descanso.

- O essencial fica feito.

Deixo os retoques ao cuidado do meu irmão Outono - dizia o Verão, à despedida.

Lá vinha o Outono, com pincel e tintas apurar as cores. Achava sempre que merecia mais tempo. São tantas as tonalidades, do verde-escuro ao castanho, do laranja ao vermelho... Não se pode fazer obra asseada quando se sente os passos do Inverno a aproximar-se. Que nervos!

Sorrindo no seu trono, o Sol acompanhava a obra dos seus quatro filhos. Descansa. Eles estão a dar muito boa conta de si.

E o Sol, risonho, ainda mais resplandece.

Ouvir

Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

Voltar ao texto

Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Texto extraído das camadas HTML originais recuperadas. Imagens, PDF e áudio Flash são ficheiros locais do arquivo. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

Página original arquivada
Ver no arquivo
PDF original
Abrir PDF recuperado