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Ilustração de abertura da história «O velho mago».

30 de Agosto

O velho mago

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Era uma vez um velho Mago, muito famoso.

Mago equivale a feiticeiro. Feiticeiro equivale a bruxo. No entanto, este não era dos maus, daqueles que transformam príncipes em sapos ou coisas assim. Durante toda a vida, dera-lhe mais para transformar sapos em príncipes ou coisas parecidas. Era um Mago bom.

Mas andava muito esquecido.

Ia para praticar uma magia, através de uma fórmula mágica e, a meio, tinha uma falha de memória:

- Galapim, topelim, balemeque... Ou será bumelaque?

O caso podia ser grave, porque qualquer pequena alteração das palavras mágicas transtornaria o resultado.

Em vez de fazer aparecer um príncipe, onde estava um sapo, fazia aparecer uma galinha.

Depois, a transformação da galinha em príncipe é que era um caso sério. Um processo muito mais complicado. Quase impossível.

À conta dos seus enganos, o velho Mago tinha a capoeira cheia.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Esta minha cabeça já não funciona como dantes funcionava - queixava-se ele.

Ainda foi a um médico, que lhe receitou uns comprimidos para a desmemória, mas o Mago também se esquecia de tomar os comprimidos e tudo continuava na mesma.

E a capoeira cada vez mais cheia...

Um amigo, que foi visitá-lo, aconselhou-o:

- Larga o ofício de Mago e transforma-te em criador de aves. Tens aqui um rico aviário.

Pois tinha. Tanto que uma raposa descarada começou a rondar-lhe a capoeira.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Numa noite de luar, o mago pressentiu-a e, armado de umas palavras mágicas, que tiram o apetite às raposas, atirou-lhe ao focinho:

- Belico, sapetec, arlepic, pic, pic. Sofial! Jeropigue! Cavanica. Obstrúnfio.

A raposa fugiu, alarmada, e as galinhas agitaram-se na capoeira, numa desusada excitação. Sucedeu o que parecia quase impossível.

A capoeira ficou cheia, a abarrotar de príncipes, todos muito indignados por se encontrarem em lugar tão fora de propósito para tais Altezas.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Saíram os príncipes para os seus respectivos palácios, se é que os tinham, e o velho Mago, muito envergonhado, ficou a remoer mais este engano. Não acertava nem numa única fórmula. Que enervância!

E o mais grave é que também se tinha esquecido das palavras mágicas que, infalivelmente, transformam os sapos em galinhas.

Sem gemada para o lanche nem omeleta para o jantar, o Mago decidiu seguir o conselho do amigo. Comprou várias dúzias de pintainhos, meteu-os na capoeira vazia e esperou que crescessem.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Dá-lhes de comida migas de pão duro e sêmola. Não é nenhuma fórmula mágica, mas engorda.

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Era uma vez um velho Mago, muito famoso.

Mago equivale a feiticeiro. Feiticeiro equivale a bruxo. No entanto, este não era dos maus, daqueles que transformam príncipes em sapos ou coisas assim. Durante toda a vida, dera-lhe mais para transformar sapos em príncipes ou coisas parecidas. Era um Mago bom.

Mas andava muito esquecido.

Ia para praticar uma magia, através de uma fórmula mágica e, a meio, tinha uma falha de memória:

- Galapim, topelim, balemeque... Ou será bumelaque?

O caso podia ser grave, porque qualquer pequena alteração das palavras mágicas transtornaria o resultado.

Em vez de fazer aparecer um príncipe, onde estava um sapo, fazia aparecer uma galinha.

Depois, a transformação da galinha em príncipe é que era um caso sério. Um processo muito mais complicado. Quase impossível.

À conta dos seus enganos, o velho Mago tinha a capoeira cheia.

- Esta minha cabeça já não funciona como dantes funcionava - queixava-se ele.

Ainda foi a um médico, que lhe receitou uns comprimidos para a desmemória, mas o Mago também se esquecia de tomar os comprimidos e tudo continuava na mesma.

E a capoeira cada vez mais cheia...

Um amigo, que foi visitá-lo, aconselhou-o:

- Larga o ofício de Mago e transforma-te em criador de aves. Tens aqui um rico aviário.

Pois tinha. Tanto que uma raposa descarada começou a rondar-lhe a capoeira.

Numa noite de luar, o mago pressentiu-a e, armado de umas palavras mágicas, que tiram o apetite às raposas, atirou-lhe ao focinho:

- Belico, sapetec, arlepic, pic, pic. Sofial! Jeropigue! Cavanica. Obstrúnfio.

A raposa fugiu, alarmada, e as galinhas agitaram-se na capoeira, numa desusada excitação. Sucedeu o que parecia quase impossível.

A capoeira ficou cheia, a abarrotar de príncipes, todos muito indignados por se encontrarem em lugar tão fora de propósito para tais Altezas.

Saíram os príncipes para os seus respectivos palácios, se é que os tinham, e o velho Mago, muito envergonhado, ficou a remoer mais este engano. Não acertava nem numa única fórmula. Que enervância!

E o mais grave é que também se tinha esquecido das palavras mágicas que, infalivelmente, transformam os sapos em galinhas.

Sem gemada para o lanche nem omeleta para o jantar, o Mago decidiu seguir o conselho do amigo. Comprou várias dúzias de pintainhos, meteu-os na capoeira vazia e esperou que crescessem.

Dá-lhes de comida migas de pão duro e sêmola. Não é nenhuma fórmula mágica, mas engorda.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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