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| O velho mago António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Era uma vez um velho Mago, muito famoso.
Mago equivale a feiticeiro. Feiticeiro equivale a bruxo. No entanto, este não era dos maus, daqueles que transformam príncipes em sapos ou coisas assim. Durante toda a vida, dera-lhe mais para transformar sapos em príncipes ou coisas parecidas. Era um Mago bom.
Mas andava muito esquecido. | |
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| Ia para praticar uma magia, através de uma fórmula mágica e, a meio, tinha uma falha de memória:
- Galapim, topelim, balemeque... Ou será bumelaque?
O caso podia ser grave, porque qualquer pequena alteração das palavras mágicas transtornaria o resultado. | |
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| Em vez de fazer aparecer um príncipe, onde estava um sapo, fazia aparecer uma galinha.
Depois, a transformação da galinha em príncipe é que era um caso sério. Um processo muito mais complicado. Quase impossível.
À conta dos seus enganos, o velho Mago tinha a capoeira cheia. | |
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| - Esta minha cabeça já não funciona como dantes funcionava - queixava-se ele.
Ainda foi a um médico, que lhe receitou uns comprimidos para a desmemória, mas o Mago também se esquecia de tomar os comprimidos e tudo continuava na mesma.
E a capoeira cada vez mais cheia... | |
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| Um amigo, que foi visitá-lo, aconselhou-o:
- Larga o ofício de Mago e transforma-te em criador de aves. Tens aqui um rico aviário.
Pois tinha. Tanto que uma raposa descarada começou a rondar-lhe a capoeira. | |
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| Numa noite de luar, o mago pressentiu-a e, armado de umas palavras mágicas, que tiram o apetite às raposas, atirou-lhe ao focinho:
- Belico, sapetec, arlepic, pic, pic. Sofial! Jeropigue! Cavanica. Obstrúnfio. | |
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| A raposa fugiu, alarmada, e as galinhas agitaram-se na capoeira, numa desusada excitação. Sucedeu o que parecia quase impossível.
A capoeira ficou cheia, a abarrotar de príncipes, todos muito indignados por se encontrarem em lugar tão fora de propósito para tais Altezas. | |
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| Saíram os príncipes para os seus respectivos palácios, se é que os tinham, e o velho Mago, muito envergonhado, ficou a remoer mais este engano. Não acertava nem numa única fórmula. Que enervância! | |
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| E o mais grave é que também se tinha esquecido das palavras mágicas que, infalivelmente, transformam os sapos em galinhas.
Sem gemada para o lanche nem omeleta para o jantar, o Mago decidiu seguir o conselho do amigo. Comprou várias dúzias de pintainhos, meteu-os na capoeira vazia e esperou que crescessem. | |
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