• Texto original recuperado
  • Ilustração original recuperada
  • PDF recuperado
  • Áudio original em Flash
  • Narração sintetizada
Ilustração de abertura da história «Mais um».

16 de Junho

Mais um

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Era uma vez uma galinha pedrês que só sabia contar até três.

Logo aconteceu nascerem-lhe quatro pintainhos.

Ela contava-os assim:

- Um... dois...três... e mais um.

- Três mais um, quatro - dizia-lhe o pato.

Mas ela não havia meio de aprender.

Sempre vigilante à beira dos filhos, a pedrês ralhava:

- Não impliques com teus irmãos, Mais Um! Não queiras a comida toda para ti, Mais Um!

Ficou a chamar-se Mais Um. Frango e depois galo, como era bruto e pespontão , ganhou o nome de Mais Um, "O Terrível".

As galinhas que o dissessem, coitadas, de crista sempre a sangrar das bicadas do tiranete .

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Todo o povo da capoeira o detestava. E com razão.

Mais Um, "O Terrível", cantava de alto. Estou mesmo convencido que se não fosse ele o primeiro a alarmar os campos adormecidos com os seus gargarejos de madrugador, os restantes galos do povoado, por acanhamento, nem cantariam.

Foi o que aconteceu, ainda há pouco.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ontem, à espera da voz de comando do Mais Um, não houve galo que cantasse a alvorada. Que acontecera?

Os pombos do pombal é que espalharam a notícia:

- Morreu Mais Um às mãos da Conceição do facalhão.

- Mais Um sacrificado, em canja e em guisado...

- Lá está Mais Um no prato, duro que nem sola de sapato...

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Houve um certo alívio nos galinheiros. Mas, agora me lembro que hoje os galos ainda não cantaram. Porquê? Talvez um secreto mal-estar se tenha espalhado pela criação. Imagino os galos no poleiro, cada um por si, a matutar: "Foi-se Mais Um... Quem irá, depois?" Pensamentos destes não dão mote para cantigas.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para Mais um
Ilustração original recuperada

Era uma vez uma galinha pedrês que só sabia contar até três.

Logo aconteceu nascerem-lhe quatro pintainhos.

Ela contava-os assim:

- Um... dois...três... e mais um.

- Três mais um, quatro - dizia-lhe o pato.

Mas ela não havia meio de aprender.

Sempre vigilante à beira dos filhos, a pedrês ralhava:

- Não impliques com teus irmãos, Mais Um! Não queiras a comida toda para ti, Mais Um!

Ficou a chamar-se Mais Um. Frango e depois galo, como era bruto e pespontão , ganhou o nome de Mais Um, "O Terrível".

As galinhas que o dissessem, coitadas, de crista sempre a sangrar das bicadas do tiranete .

Todo o povo da capoeira o detestava. E com razão.

Mais Um, "O Terrível", cantava de alto. Estou mesmo convencido que se não fosse ele o primeiro a alarmar os campos adormecidos com os seus gargarejos de madrugador, os restantes galos do povoado, por acanhamento, nem cantariam.

Foi o que aconteceu, ainda há pouco.

Ontem, à espera da voz de comando do Mais Um, não houve galo que cantasse a alvorada. Que acontecera?

Os pombos do pombal é que espalharam a notícia:

- Morreu Mais Um às mãos da Conceição do facalhão.

- Mais Um sacrificado, em canja e em guisado...

- Lá está Mais Um no prato, duro que nem sola de sapato...

Houve um certo alívio nos galinheiros. Mas, agora me lembro que hoje os galos ainda não cantaram. Porquê? Talvez um secreto mal-estar se tenha espalhado pela criação. Imagino os galos no poleiro, cada um por si, a matutar: "Foi-se Mais Um... Quem irá, depois?" Pensamentos destes não dão mote para cantigas.

Ouvir

Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

Palavras da história

Voltar ao texto

Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Texto extraído das camadas HTML originais recuperadas. Imagens, PDF e áudio Flash são ficheiros locais do arquivo. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

Página original arquivada
Ver no arquivo
PDF original
Abrir PDF recuperado