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| Mais um António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Era uma vez uma galinha pedrês que só sabia contar até três.
Logo aconteceu nascerem-lhe quatro pintainhos.
Ela contava-os assim:
- Um... dois...três... e mais um.
- Três mais um, quatro - dizia-lhe o pato.
Mas ela não havia meio de aprender. | |
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| Sempre vigilante à beira dos filhos, a pedrês ralhava:
- Não impliques com teus irmãos, Mais Um! Não queiras a comida toda para ti, Mais Um!
Ficou a chamar-se Mais Um. Frango e depois galo, como era bruto e pespontão, ganhou o nome de Mais Um, "O Terrível".
As galinhas que o dissessem, coitadas, de crista sempre a sangrar das bicadas do tiranete. | |
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| Todo o povo da capoeira o detestava. E com razão.
Mais Um, "O Terrível", cantava de alto. Estou mesmo convencido que se não fosse ele o primeiro a alarmar os campos adormecidos com os seus gargarejos de madrugador, os restantes galos do povoado, por acanhamento, nem cantariam.
Foi o que aconteceu, ainda há pouco. | |
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| Ontem, à espera da voz de comando do Mais Um, não houve galo que cantasse a alvorada. Que acontecera?
Os pombos do pombal é que espalharam a notícia:
- Morreu Mais Um às mãos da Conceição do facalhão.
- Mais Um sacrificado, em canja e em guisado...
- Lá está Mais Um no prato, duro que nem sola de sapato... | |
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