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Ilustração de abertura da história «Se ele estivesse acordado».

30 de Maio

Se ele estivesse acordado

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

O pintainho Besnico só conhecia a rede cinzenta da capoeira, onde tinha nascido. Por isso, quando, uma vez, se escapuliu por um buraco da rede e deu os primeiros passos à luz do Sol, foi um espanto.

A mãe galinha bem o tinha avisado: "Nunca saias sem mim. Lá fora há muitos perigos que tu não conheces. Nunca saias sem mim!"

Mas ele saiu. Desobedeceu, o maroto! A verdade é que, pouco tempo depois, estava de volta, muito afogueado , muito exaltado com tudo o que tinha visto.

A mãe, primeiro, zangou-se, mas, depois, em voz mais macia, quis saber porque vinha tão nervoso da corrida pela eira da quinta.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Ai, a mãezinha tinha razão - respondeu-lhe o pintainho Besnico. - Há muitos perigos lá fora, muitos bichos esquisitos, grandes, que metem medo. Vi um muito grande, às malhas pretas e brancas, com dois paus na cabeça e um rabo sempre a dar a dar. Que susto!

- É a vaca! - explicou a mãe. - Daí não vem mal nenhum.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

As vacas não fazem mal aos pintos.

- E um, cinzento, de grandes orelhas, que batia as patas no chão com toda a força e mostrava os dentes amarelos, enquanto comia a erva do pátio, esse deve ser dos piores, não é?

- O burro? - riu-se a mãe. - Desse lado também não há que temer. Os burros não ligam aos pintos.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- E eu que pensava que eram perigosos! - suspirou, aliviado, o pintainho Besnico. - Mas também vi um muito simpático. Estava a dormir ao sol. Tinha uns enormes bigodes, focinho miúdo, orelhas pequenas e o corpo muito fofo, de pêlo amarelo às riscas, muito bonito. Estive quase tentado a dar-lhe uma bicada, de brincadeira...

- Nunca! - gritou-lhe a mãe, toda arrepiada. - Esse bicho chama-se gato e, se estivesse acordado, não sei o que seria de ti...

A mãe galinha apertou contra ela aquele filhinho inocente, que ainda tinha tanto para aprender na vida, enquanto repetia vezes sem conta: "Ai, se ele estivesse acordado o que seria de ti... Ai, se ele estivesse acordado..."

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

O pintainho Besnico só conhecia a rede cinzenta da capoeira, onde tinha nascido. Por isso, quando, uma vez, se escapuliu por um buraco da rede e deu os primeiros passos à luz do Sol, foi um espanto.

A mãe galinha bem o tinha avisado: "Nunca saias sem mim. Lá fora há muitos perigos que tu não conheces. Nunca saias sem mim!"

Mas ele saiu. Desobedeceu, o maroto! A verdade é que, pouco tempo depois, estava de volta, muito afogueado , muito exaltado com tudo o que tinha visto.

A mãe, primeiro, zangou-se, mas, depois, em voz mais macia, quis saber porque vinha tão nervoso da corrida pela eira da quinta.

- Ai, a mãezinha tinha razão - respondeu-lhe o pintainho Besnico. - Há muitos perigos lá fora, muitos bichos esquisitos, grandes, que metem medo. Vi um muito grande, às malhas pretas e brancas, com dois paus na cabeça e um rabo sempre a dar a dar. Que susto!

- É a vaca! - explicou a mãe. - Daí não vem mal nenhum.

As vacas não fazem mal aos pintos.

- E um, cinzento, de grandes orelhas, que batia as patas no chão com toda a força e mostrava os dentes amarelos, enquanto comia a erva do pátio, esse deve ser dos piores, não é?

- O burro? - riu-se a mãe. - Desse lado também não há que temer. Os burros não ligam aos pintos.

- E eu que pensava que eram perigosos! - suspirou, aliviado, o pintainho Besnico. - Mas também vi um muito simpático. Estava a dormir ao sol. Tinha uns enormes bigodes, focinho miúdo, orelhas pequenas e o corpo muito fofo, de pêlo amarelo às riscas, muito bonito. Estive quase tentado a dar-lhe uma bicada, de brincadeira...

- Nunca! - gritou-lhe a mãe, toda arrepiada. - Esse bicho chama-se gato e, se estivesse acordado, não sei o que seria de ti...

A mãe galinha apertou contra ela aquele filhinho inocente, que ainda tinha tanto para aprender na vida, enquanto repetia vezes sem conta: "Ai, se ele estivesse acordado o que seria de ti... Ai, se ele estivesse acordado..."

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