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| Se ele estivesse acordado António Torrado Cristina Malaquias | |
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| O pintainho Besnico só conhecia a rede cinzenta da capoeira, onde tinha nascido. Por isso, quando, uma vez, se escapuliu por um buraco da rede e deu os primeiros passos à luz do Sol, foi um espanto.
A mãe galinha bem o tinha avisado: "Nunca saias sem mim. Lá fora há muitos perigos que tu não conheces. Nunca saias sem mim!" | |
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| Mas ele saiu. Desobedeceu, o maroto! A verdade é que, pouco tempo depois, estava de volta, muito afogueado, muito exaltado com tudo o que tinha visto.
A mãe, primeiro, zangou-se, mas, depois, em voz mais macia, quis saber porque vinha tão nervoso da corrida pela eira da quinta. | |
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| - Ai, a mãezinha tinha razão - respondeu-lhe o pintainho Besnico. - Há muitos perigos lá fora, muitos bichos esquisitos, grandes, que metem medo. Vi um muito grande, às malhas pretas e brancas, com dois paus na cabeça e um rabo sempre a dar a dar. Que susto!
- É a vaca! - explicou a mãe. - Daí não vem mal nenhum. | |
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| As vacas não fazem mal aos pintos.
- E um, cinzento, de grandes orelhas, que batia as patas no chão com toda a força e mostrava os dentes amarelos, enquanto comia a erva do pátio, esse deve ser dos piores, não é?
- O burro? - riu-se a mãe. - Desse lado também não há que temer. Os burros não ligam aos pintos. | |
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| - E eu que pensava que eram perigosos! - suspirou, aliviado, o pintainho Besnico. - Mas também vi um muito simpático. Estava a dormir ao sol. Tinha uns enormes bigodes, focinho miúdo, orelhas pequenas e o corpo muito fofo, de pêlo amarelo às riscas, muito bonito. Estive quase tentado a dar-lhe uma bicada, de brincadeira... | |
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