15 de Maio
A lição do peixe
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
Num colégio de órfãos de antigamente, para onde iam os meninos que a família não podia sustentar, passava-se muita miséria. Miséria é modo de dizer... fomenica, larica, galga e outros nomes que a fome tem, mas que não disfarçam a penúria nem aconchegam o estômago.
As refeições, na enorme cantina enregelada, eram um fazer sofrer e um fazer de conta. Só o regente do colégio - o prefeito -, à cabeceira da mesa, comia a seu gosto. Dizia ele que era por ser grande, grosso e grave e que os pequenos, por serem pequenos, não precisavam de comer tanto. Mentiras. Desculpas.
Num almoço, puseram em cada prato dos pensionistas um peixinho de nada com a pouca companhia de uma concha de arroz.
Um dos órfãos, em vez de lançar o garfo faminto à refeição, encostou a boca à borda do prato e pôs-se a falar baixinho, como quem reza.
Os colegas estranharam e, lá do fundo, o prefeito quis saber o porquê daquela extravagância .
- Estou a conversar com o peixe, senhor - esclareceu o mocinho. - Como o meu pai, que era pescador, morreu no mar, estou a perguntar-lhe se ele chegou a conhecê-lo.
- E que te respondeu ele? - indagou o prefeito, divertido, entre duas garfadas.
- Respondeu-me que não se lembra, porque é muito pequenino, mas que talvez o peixe grande, que está no prato do senhor prefeito, saiba dar-me alguma notícia.
Parece que a partir deste caso os meninos do orfanato passaram a ter ração melhorada. Vejam o que um peixe pequenino pode ensinar aos grandes.
António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.
Ilustração original ainda não recuperada.
Num colégio de órfãos de antigamente, para onde iam os meninos que a família não podia sustentar, passava-se muita miséria. Miséria é modo de dizer... fomenica, larica, galga e outros nomes que a fome tem, mas que não disfarçam a penúria nem aconchegam o estômago.
As refeições, na enorme cantina enregelada, eram um fazer sofrer e um fazer de conta. Só o regente do colégio - o prefeito -, à cabeceira da mesa, comia a seu gosto. Dizia ele que era por ser grande, grosso e grave e que os pequenos, por serem pequenos, não precisavam de comer tanto. Mentiras. Desculpas.
Num almoço, puseram em cada prato dos pensionistas um peixinho de nada com a pouca companhia de uma concha de arroz.
Um dos órfãos, em vez de lançar o garfo faminto à refeição, encostou a boca à borda do prato e pôs-se a falar baixinho, como quem reza.
Os colegas estranharam e, lá do fundo, o prefeito quis saber o porquê daquela extravagância .
- Estou a conversar com o peixe, senhor - esclareceu o mocinho. - Como o meu pai, que era pescador, morreu no mar, estou a perguntar-lhe se ele chegou a conhecê-lo.
- E que te respondeu ele? - indagou o prefeito, divertido, entre duas garfadas.
- Respondeu-me que não se lembra, porque é muito pequenino, mas que talvez o peixe grande, que está no prato do senhor prefeito, saiba dar-me alguma notícia.
Parece que a partir deste caso os meninos do orfanato passaram a ter ração melhorada. Vejam o que um peixe pequenino pode ensinar aos grandes.
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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.
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Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.
Recuperação
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