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Ilustração de abertura da história «Cabelo espetado».

10 de Maio

Cabelo espetado

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Era uma vez uma senhora que estava no cabeleireiro, à espera de ser atendida.

- Estou pelos cabelos! - dizia a senhora, muito irritada. - Nunca mais chega a minha vez, francamente.

Uma das cabeleireiras passou por ela e reparou:

- Olhe que a senhora, assim, tão enervada que está, fica com os cabelos em pé.

Depois, vai ser um sarilho para penteá-la.

E foi. Quando a senhora se sentou, finalmente, numa das cadeiras, frente ao espelho, estava uma lástima. Tinha o cabelo que nem escova de arame.

Lavaram-no, massajaram-no, puseram-lhe rolos, encharcaram-no com laca, mas não havia meio.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

O cabelo empinava, tão espetado e rijo como se a senhora tivesse apanhado um choque eléctrico.

- Tem de acalmar-se. Vá lá, sossegue - diziam-lhe as empregadas do cabeleireiro.

Mais lhe diziam, pior era. Tantas pessoas à volta dela e as outras clientes aos risinhos punham-na fula. E, já se vê, a cabeleira ouriçava-se-lhe ainda mais. Aquilo não havia remédio.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Só se voltar cá mais calma, noutro dia - propuseram-lhe.

- Como é que pode ser, se hoje é que eu tenho uma festa, a que não posso faltar, dê por onde der? - esganiçava-se a senhora de cabelos arrepiados, cada vez mais arrepiados.

Teve de ir assim mesmo à tal festa. Nervosíssima. Arrepiadíssima. E querem saber?

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Foi um êxito, o alvo de todas as atenções, de todos os elogios.

- Que penteado tão original! E que bem que lhe fica! Onde é que o fez? - perguntavam-lhe a torto e a direito.

A senhora punha a mão no coração, consolada e feliz. Acalmou. Vai daí o cabelo perdeu a electricidade e caiu-lhe em pontas desgraciosas, escorrido e feio como pêlo de cão à chuva.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Mas vá lá que a festa tinha chegado ao fim e já ninguém reparou.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Era uma vez uma senhora que estava no cabeleireiro, à espera de ser atendida.

- Estou pelos cabelos! - dizia a senhora, muito irritada. - Nunca mais chega a minha vez, francamente.

Uma das cabeleireiras passou por ela e reparou:

- Olhe que a senhora, assim, tão enervada que está, fica com os cabelos em pé.

Depois, vai ser um sarilho para penteá-la.

E foi. Quando a senhora se sentou, finalmente, numa das cadeiras, frente ao espelho, estava uma lástima. Tinha o cabelo que nem escova de arame.

Lavaram-no, massajaram-no, puseram-lhe rolos, encharcaram-no com laca, mas não havia meio.

O cabelo empinava, tão espetado e rijo como se a senhora tivesse apanhado um choque eléctrico.

- Tem de acalmar-se. Vá lá, sossegue - diziam-lhe as empregadas do cabeleireiro.

Mais lhe diziam, pior era. Tantas pessoas à volta dela e as outras clientes aos risinhos punham-na fula. E, já se vê, a cabeleira ouriçava-se-lhe ainda mais. Aquilo não havia remédio.

- Só se voltar cá mais calma, noutro dia - propuseram-lhe.

- Como é que pode ser, se hoje é que eu tenho uma festa, a que não posso faltar, dê por onde der? - esganiçava-se a senhora de cabelos arrepiados, cada vez mais arrepiados.

Teve de ir assim mesmo à tal festa. Nervosíssima. Arrepiadíssima. E querem saber?

Foi um êxito, o alvo de todas as atenções, de todos os elogios.

- Que penteado tão original! E que bem que lhe fica! Onde é que o fez? - perguntavam-lhe a torto e a direito.

A senhora punha a mão no coração, consolada e feliz. Acalmou. Vai daí o cabelo perdeu a electricidade e caiu-lhe em pontas desgraciosas, escorrido e feio como pêlo de cão à chuva.

Mas vá lá que a festa tinha chegado ao fim e já ninguém reparou.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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