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Ilustração de abertura da história «Os coelhinhos aprendem».

27 de Abril

Os coelhinhos aprendem

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Era uma vez uma coelha que tinha muitos filhos. Como boa mãe, passava o dia a recomendar-lhes o que era melhor para a vida deles: as ervas que deviam comer, as ervas que deviam rejeitar, as horas a que podiam sair, as horas em que não podiam nem espreitar...

- E, antes de mais - dizia ela -, muita atenção ao calendário de abertura da caça...

- Mas como é que nós sabemos, se não lemos jornais? - perguntou um dos coelhinhos.

- Assim que ouvirem tiros, nem que sejam longe, e cães a ladrar, corram logo a abrigar-se - avisou a mãe.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Um dia, um dos mais novos, chegou à toca, muito assustado.

- Ouvi tiros, mãe. Esconda-me.

A coelha tranquilizou-o:

- Eu também ouvi, mas não são tiros de chumbo. São foguetes de cana. Há festa na aldeia. Não ouves a música da banda? Para que te servem as orelhas?

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Enquanto eles andam entretidos, podemos nós sossegar.

Dias depois, estava a família toda no pasto e uma melodia fininha e maliciosa veio pelo ar, como serpente que dança... Os coelhos pequenos, que nunca tal tinham ouvido, olharam para a mãe, interrogativos.

- É melhor irmos andando para casa - disse ela.

- E tão cedo não voltamos a pôr o nariz de fora.

O coelhinho de há pouco estranhou:

- Mas ó mãe, uma música tão doce não será festa, também?

- Qual festa, qual carapuça. Despacha-te. É o Pedro Ovelheiro, que toca flauta, e anda por aí a semear desgraça. Arma por tudo o que é sítio armadilhas, que fazem miséria.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Até me arrepio toda.

Tempos depois, o coelhinho veio outra vez ter com a mãe, muito aflito.

- Vi homens com espingardas. Devem ser caçadores.

- Também eu vi - disse a mãe. - Com estes podes estar descansado.

São guardas florestais e andam a levantar as armadilhas que o Pedro armou, porque estão proibidas pela lei da caça. Já podemos descansar. Mas, mesmo assim, todo o cuidado é pouco.

Está visto que é muito arriscada a vida do mato. O que um coelho tem de aprender, para não ser chumbado!

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Era uma vez uma coelha que tinha muitos filhos. Como boa mãe, passava o dia a recomendar-lhes o que era melhor para a vida deles: as ervas que deviam comer, as ervas que deviam rejeitar, as horas a que podiam sair, as horas em que não podiam nem espreitar...

- E, antes de mais - dizia ela -, muita atenção ao calendário de abertura da caça...

- Mas como é que nós sabemos, se não lemos jornais? - perguntou um dos coelhinhos.

- Assim que ouvirem tiros, nem que sejam longe, e cães a ladrar, corram logo a abrigar-se - avisou a mãe.

Um dia, um dos mais novos, chegou à toca, muito assustado.

- Ouvi tiros, mãe. Esconda-me.

A coelha tranquilizou-o:

- Eu também ouvi, mas não são tiros de chumbo. São foguetes de cana. Há festa na aldeia. Não ouves a música da banda? Para que te servem as orelhas?

Enquanto eles andam entretidos, podemos nós sossegar.

Dias depois, estava a família toda no pasto e uma melodia fininha e maliciosa veio pelo ar, como serpente que dança... Os coelhos pequenos, que nunca tal tinham ouvido, olharam para a mãe, interrogativos.

- É melhor irmos andando para casa - disse ela.

- E tão cedo não voltamos a pôr o nariz de fora.

O coelhinho de há pouco estranhou:

- Mas ó mãe, uma música tão doce não será festa, também?

- Qual festa, qual carapuça. Despacha-te. É o Pedro Ovelheiro, que toca flauta, e anda por aí a semear desgraça. Arma por tudo o que é sítio armadilhas, que fazem miséria.

Até me arrepio toda.

Tempos depois, o coelhinho veio outra vez ter com a mãe, muito aflito.

- Vi homens com espingardas. Devem ser caçadores.

- Também eu vi - disse a mãe. - Com estes podes estar descansado.

São guardas florestais e andam a levantar as armadilhas que o Pedro armou, porque estão proibidas pela lei da caça. Já podemos descansar. Mas, mesmo assim, todo o cuidado é pouco.

Está visto que é muito arriscada a vida do mato. O que um coelho tem de aprender, para não ser chumbado!

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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