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| Os coelhinhos aprendem António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Era uma vez uma coelha que tinha muitos filhos. Como boa mãe, passava o dia a recomendar-lhes o que era melhor para a vida deles: as ervas que deviam comer, as ervas que deviam rejeitar, as horas a que podiam sair, as horas em que não podiam nem espreitar... | |
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| - E, antes de mais - dizia ela -, muita atenção ao calendário de abertura da caça...
- Mas como é que nós sabemos, se não lemos jornais? - perguntou um dos coelhinhos.
- Assim que ouvirem tiros, nem que sejam longe, e cães a ladrar, corram logo a abrigar-se - avisou a mãe. | |
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| Um dia, um dos mais novos, chegou à toca, muito assustado.
- Ouvi tiros, mãe. Esconda-me.
A coelha tranquilizou-o:
- Eu também ouvi, mas não são tiros de chumbo. São foguetes de cana. Há festa na aldeia. Não ouves a música da banda? Para que te servem as orelhas? | |
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| Enquanto eles andam entretidos, podemos nós sossegar.
Dias depois, estava a família toda no pasto e uma melodia fininha e maliciosa veio pelo ar, como serpente que dança... Os coelhos pequenos, que nunca tal tinham ouvido, olharam para a mãe, interrogativos.
- É melhor irmos andando para casa - disse ela. | |
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| - E tão cedo não voltamos a pôr o nariz de fora.
O coelhinho de há pouco estranhou:
- Mas ó mãe, uma música tão doce não será festa, também?
- Qual festa, qual carapuça. Despacha-te. É o Pedro Ovelheiro, que toca flauta, e anda por aí a semear desgraça. Arma por tudo o que é sítio armadilhas, que fazem miséria. | |
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| Até me arrepio toda.
Tempos depois, o coelhinho veio outra vez ter com a mãe, muito aflito.
- Vi homens com espingardas. Devem ser caçadores.
- Também eu vi - disse a mãe. - Com estes podes estar descansado. | |
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