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Ilustração de abertura da história «A cadeira musical».

20 de Abril

A cadeira musical

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Era uma cadeira que sabia música. Uma pessoa sentava-se nela e a cadeira começava a tocar.

- É uma cadeira caixinha de música. Tem molas especiais que fazem "clique", quando uma pessoa se senta na cadeira e, então, a caixinha de música começa a tocar - explicava quem sabia destes mecanismos de cadeiras musicais.

Talvez fosse, realmente, assim. O certo é que, um dia, a cadeira se avariou. Deixou de tocar música. Passou a ser uma cadeira banal, igual a milhões de outras que não tocam.

- Deve estar com as molas gastas - disse a velha e gorda senhora, dona da cadeira. - Vou mandar arranjá-la.

Mas na oficina das cadeiras desenganaram-na:

- Já não há quem arranje dessas cadeiras.

Voltou a cadeira para casa da senhora que, às vezes, com saudades de outros tempos, nela se sentava, evocando a musiquinha que a cadeira, dantes, tocava.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

A velha e gorda senhora lembrava-se de quando era nova, leve e gentil e ia, às escondidas da avó, sentar-se na cadeira com música.

- Tlim, tlim, tlim e mais tlim - tocava a cadeira, à volta da menina.

Que saudades!

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

A senhora largou um imenso suspiro e foi atender à porta, porque a campainha repicara . Era uma amiga com o sobrinho, um miúdo tímido, escondido atrás da sombra da tia.

- Entrem para a sala - convidou a velha senhora.

Logo aconteceu que o menino se foi sentar na cadeira avariada.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

E não é que ela, sem mais quê nem porquê, ao leve peso do garoto, começou a tocar?

O miúdo saltou, assustado, e a cadeira calou-se. Então, a velha senhora explicou o mecanismo da cadeira e tudo voltou ao certo.

Naquela tarde, a cadeira tocou que foi um regalo ouvir.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Eu já devia estar muito pesada para a sensibilidade da cadeira - concluiu a senhora.

E logo ali ficou combinado que o menino, sempre que quisesse, podia vir visitar a senhora. E a cadeira. As duas teriam muito prazer em recebê-lo.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para A cadeira musical
Ilustração original recuperada

Era uma cadeira que sabia música. Uma pessoa sentava-se nela e a cadeira começava a tocar.

- É uma cadeira caixinha de música. Tem molas especiais que fazem "clique", quando uma pessoa se senta na cadeira e, então, a caixinha de música começa a tocar - explicava quem sabia destes mecanismos de cadeiras musicais.

Talvez fosse, realmente, assim. O certo é que, um dia, a cadeira se avariou. Deixou de tocar música. Passou a ser uma cadeira banal, igual a milhões de outras que não tocam.

- Deve estar com as molas gastas - disse a velha e gorda senhora, dona da cadeira. - Vou mandar arranjá-la.

Mas na oficina das cadeiras desenganaram-na:

- Já não há quem arranje dessas cadeiras.

Voltou a cadeira para casa da senhora que, às vezes, com saudades de outros tempos, nela se sentava, evocando a musiquinha que a cadeira, dantes, tocava.

A velha e gorda senhora lembrava-se de quando era nova, leve e gentil e ia, às escondidas da avó, sentar-se na cadeira com música.

- Tlim, tlim, tlim e mais tlim - tocava a cadeira, à volta da menina.

Que saudades!

A senhora largou um imenso suspiro e foi atender à porta, porque a campainha repicara . Era uma amiga com o sobrinho, um miúdo tímido, escondido atrás da sombra da tia.

- Entrem para a sala - convidou a velha senhora.

Logo aconteceu que o menino se foi sentar na cadeira avariada.

E não é que ela, sem mais quê nem porquê, ao leve peso do garoto, começou a tocar?

O miúdo saltou, assustado, e a cadeira calou-se. Então, a velha senhora explicou o mecanismo da cadeira e tudo voltou ao certo.

Naquela tarde, a cadeira tocou que foi um regalo ouvir.

- Eu já devia estar muito pesada para a sensibilidade da cadeira - concluiu a senhora.

E logo ali ficou combinado que o menino, sempre que quisesse, podia vir visitar a senhora. E a cadeira. As duas teriam muito prazer em recebê-lo.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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