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Ilustração de abertura da história «Os três gatos».

23 de Março

Os três gatos

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Era uma vez uma gata que teve três gatinhos.

Os donos da gata disseram:

- Há que dar-lhes nomes. Gatos sem nomes são gatos vadios. E os nossos gatos não são desses, ora essa!

Chamaram a um Badameco, ao outro Pimpão e ao terceiro Arranhão.

Os gatos não se importaram. Eram pequeninos. Estavam por tudo.

Mas a mãe não gostou:

- Que disparate de nomes. Eu não tenho nenhum filho Badameco, muito menos Pimpão e nem por sombras Arranhão. Eles que dêem esses nomes aos filhos deles, que para os meus não os quero.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

E, em segredo e com muito carinho, chamou-os respectivamente de Pimpim, Pompom e Totó.

Não foi fácil aos gatos habituarem-se aos vários nomes que tinham. Às vezes, dava confusão.

Quando chegaram à idade de andar pelo telhado, o Pimpim Badameco, o Pompom Pimpão e o Totó Arranhão sentiram-se mal dentro destes nomes, mais de palhaços do que de felinos. Não dava jeito chegarem à fala com uma gatinha e, na altura das apresentações, dizerem que se chamavam Pimpim ou Badameco ou Totó ou Pimpão. Era ridículo.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Para que os tomassem a sério, crismaram-se com os seguintes nomes de guerra e conquista: Gatafunho, Alpergato e Zé do Telhado.

Foi tempo. Agora que estão velhos e fartos de aventuras, só querem festas e sopas quentes.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

O Gatafunho é o Senhor Borralho. O Alpergato é o Doutor Pantufa. E o Zé do Telhado, que consentiu recentemente na condecoração de um sininho ao pescoço, é o Dom Guizo, com todo o respeito.

O Pimpim Badameco de Gatafunho e Borralho, o Pompom Pimpão de Alpergato Pantufa e o Totó Arranhão Zé do Telhado e Guizo passam o dia enrolados, a dormir. Mas apesar de estarem duros de ouvido, se alguém os chama, com voz meiga: "Bichinho gato! Bichinho gato!", eles acordam logo. Já não são de cerimónias.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

No meio dos sonhos, ouvem a voz da mãe: "Pimpim, larga o reposteiro!", "Pompom, não te debruces da cadeira!", "Totó, não arranhes a almofada!". Quem lhes dera!

Pois é. Os gatos velhos têm destes quebrantos , destas fraquezas. E não só os gatos...

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Era uma vez uma gata que teve três gatinhos.

Os donos da gata disseram:

- Há que dar-lhes nomes. Gatos sem nomes são gatos vadios. E os nossos gatos não são desses, ora essa!

Chamaram a um Badameco, ao outro Pimpão e ao terceiro Arranhão.

Os gatos não se importaram. Eram pequeninos. Estavam por tudo.

Mas a mãe não gostou:

- Que disparate de nomes. Eu não tenho nenhum filho Badameco, muito menos Pimpão e nem por sombras Arranhão. Eles que dêem esses nomes aos filhos deles, que para os meus não os quero.

E, em segredo e com muito carinho, chamou-os respectivamente de Pimpim, Pompom e Totó.

Não foi fácil aos gatos habituarem-se aos vários nomes que tinham. Às vezes, dava confusão.

Quando chegaram à idade de andar pelo telhado, o Pimpim Badameco, o Pompom Pimpão e o Totó Arranhão sentiram-se mal dentro destes nomes, mais de palhaços do que de felinos. Não dava jeito chegarem à fala com uma gatinha e, na altura das apresentações, dizerem que se chamavam Pimpim ou Badameco ou Totó ou Pimpão. Era ridículo.

Para que os tomassem a sério, crismaram-se com os seguintes nomes de guerra e conquista: Gatafunho, Alpergato e Zé do Telhado.

Foi tempo. Agora que estão velhos e fartos de aventuras, só querem festas e sopas quentes.

O Gatafunho é o Senhor Borralho. O Alpergato é o Doutor Pantufa. E o Zé do Telhado, que consentiu recentemente na condecoração de um sininho ao pescoço, é o Dom Guizo, com todo o respeito.

O Pimpim Badameco de Gatafunho e Borralho, o Pompom Pimpão de Alpergato Pantufa e o Totó Arranhão Zé do Telhado e Guizo passam o dia enrolados, a dormir. Mas apesar de estarem duros de ouvido, se alguém os chama, com voz meiga: "Bichinho gato! Bichinho gato!", eles acordam logo. Já não são de cerimónias.

No meio dos sonhos, ouvem a voz da mãe: "Pimpim, larga o reposteiro!", "Pompom, não te debruces da cadeira!", "Totó, não arranhes a almofada!". Quem lhes dera!

Pois é. Os gatos velhos têm destes quebrantos , destas fraquezas. E não só os gatos...

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