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| Os três gatos António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Era uma vez uma gata que teve três gatinhos.
Os donos da gata disseram:
- Há que dar-lhes nomes. Gatos sem nomes são gatos vadios. E os nossos gatos não são desses, ora essa!
Chamaram a um Badameco, ao outro Pimpão e ao terceiro Arranhão. | |
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| Os gatos não se importaram. Eram pequeninos. Estavam por tudo.
Mas a mãe não gostou:
- Que disparate de nomes. Eu não tenho nenhum filho Badameco, muito menos Pimpão e nem por sombras Arranhão. Eles que dêem esses nomes aos filhos deles, que para os meus não os quero. | |
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| E, em segredo e com muito carinho, chamou-os respectivamente de Pimpim, Pompom e Totó.
Não foi fácil aos gatos habituarem-se aos vários nomes que tinham. Às vezes, dava confusão. | |
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| Quando chegaram à idade de andar pelo telhado, o Pimpim Badameco, o Pompom Pimpão e o Totó Arranhão sentiram-se mal dentro destes nomes, mais de palhaços do que de felinos. Não dava jeito chegarem à fala com uma gatinha e, na altura das apresentações, dizerem que se chamavam Pimpim ou Badameco ou Totó ou Pimpão. Era ridículo. | |
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| Para que os tomassem a sério, crismaram-se com os seguintes nomes de guerra e conquista: Gatafunho, Alpergato e Zé do Telhado.
Foi tempo. Agora que estão velhos e fartos de aventuras, só querem festas e sopas quentes. | |
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| O Gatafunho é o Senhor Borralho. O Alpergato é o Doutor Pantufa. E o Zé do Telhado, que consentiu recentemente na condecoração de um sininho ao pescoço, é o Dom Guizo, com todo o respeito. | |
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| O Pimpim Badameco de Gatafunho e Borralho, o Pompom Pimpão de Alpergato Pantufa e o Totó Arranhão Zé do Telhado e Guizo passam o dia enrolados, a dormir. Mas apesar de estarem duros de ouvido, se alguém os chama, com voz meiga: "Bichinho gato! Bichinho gato!", eles acordam logo. Já não são de cerimónias. | |
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| No meio dos sonhos, ouvem a voz da mãe: "Pimpim, larga o reposteiro!", "Pompom, não te debruces da cadeira!", "Totó, não arranhes a almofada!". Quem lhes dera!
Pois é. Os gatos velhos têm destes quebrantos, destas fraquezas. E não só os gatos...
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