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Ilustração de abertura da história «O urso com insónias».

7 de Março

O urso com insónias

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Era uma vez um urso de peluche que não conseguia dormir sem uma menina chamada Teresa, abraçada a ele.

Um dia, a menina chamada Teresa foi de férias e esqueceu-se do urso de peluche em casa.

O pobre do ursinho passou a noite em branco.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

À segunda noite, ainda tentou pedir a uma boneca, das muitas que a menina não tinha levado na bagagem, se não se importava, isto é, se não via inconveniente, ou melhor, se não lhe fazia diferença que ele se aconchegasse a ela. Claro que não era a mesma coisa, mas talvez resultasse.

Tentou pedir, esboçou uma conversa sem propósito, mas não passou disso. Teve vergonha de formular o pedido, embaraçou-se nas palavras requeridas e passou outra noite de insónia . A boneca nem chegou a perceber o que ele realmente queria.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Na terceira noite, de olhos a arder, o urso de peluche cabeceou de sono, mas não conseguiu dormir como deve ser. Faltava-lhe a menina, a respiração da menina, o perfume da menina, os cabelos da menina, a comicharem-lhe o nariz. Ah, se ele soubesse para onde é que ela tinha ido!

À quarta noite...

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Não, não vamos fazê-lo sofrer mais.

Antes da nova noite de espertina que se anunciava, o pai de Teresa entrou no quarto, agarrou no urso de peluche e meteu-o na pasta. Para onde era a viagem? Já se calcula.

Quando o pai chegou à casa de férias e tirou o ursinho da pasta, foi uma alegria.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Vamos lá ver se, daqui para a frente, adormeces sem rabujar - disse ele para a menina, que se abraçava ao urso de peluche como se fosse uma prenda nova.

- Não faz sentido que continues sempre presa ao teu urso de peluche - continuou o pai. - Tu vais crescer e, qualquer dia, tens de aprender a dormir sem o ursinho.

- Nunca - exclamou a menina.

"Nunca", teria dito o ursinho, se não fosse tão envergonhado.

Claro que a menina cresceu e provou-se que o pai tinha razão, mas isso já faz parte de outra história e esta tem de acabar aqui e bem.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para O urso com insónias
Ilustração original recuperada

Era uma vez um urso de peluche que não conseguia dormir sem uma menina chamada Teresa, abraçada a ele.

Um dia, a menina chamada Teresa foi de férias e esqueceu-se do urso de peluche em casa.

O pobre do ursinho passou a noite em branco.

À segunda noite, ainda tentou pedir a uma boneca, das muitas que a menina não tinha levado na bagagem, se não se importava, isto é, se não via inconveniente, ou melhor, se não lhe fazia diferença que ele se aconchegasse a ela. Claro que não era a mesma coisa, mas talvez resultasse.

Tentou pedir, esboçou uma conversa sem propósito, mas não passou disso. Teve vergonha de formular o pedido, embaraçou-se nas palavras requeridas e passou outra noite de insónia . A boneca nem chegou a perceber o que ele realmente queria.

Na terceira noite, de olhos a arder, o urso de peluche cabeceou de sono, mas não conseguiu dormir como deve ser. Faltava-lhe a menina, a respiração da menina, o perfume da menina, os cabelos da menina, a comicharem-lhe o nariz. Ah, se ele soubesse para onde é que ela tinha ido!

À quarta noite...

Não, não vamos fazê-lo sofrer mais.

Antes da nova noite de espertina que se anunciava, o pai de Teresa entrou no quarto, agarrou no urso de peluche e meteu-o na pasta. Para onde era a viagem? Já se calcula.

Quando o pai chegou à casa de férias e tirou o ursinho da pasta, foi uma alegria.

- Vamos lá ver se, daqui para a frente, adormeces sem rabujar - disse ele para a menina, que se abraçava ao urso de peluche como se fosse uma prenda nova.

- Não faz sentido que continues sempre presa ao teu urso de peluche - continuou o pai. - Tu vais crescer e, qualquer dia, tens de aprender a dormir sem o ursinho.

- Nunca - exclamou a menina.

"Nunca", teria dito o ursinho, se não fosse tão envergonhado.

Claro que a menina cresceu e provou-se que o pai tinha razão, mas isso já faz parte de outra história e esta tem de acabar aqui e bem.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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