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| O urso com insónias António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Era uma vez um urso de peluche que não conseguia dormir sem uma menina chamada Teresa, abraçada a ele.
Um dia, a menina chamada Teresa foi de férias e esqueceu-se do urso de peluche em casa.
O pobre do ursinho passou a noite em branco. | |
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| À segunda noite, ainda tentou pedir a uma boneca, das muitas que a menina não tinha levado na bagagem, se não se importava, isto é, se não via inconveniente, ou melhor, se não lhe fazia diferença que ele se aconchegasse a ela. Claro que não era a mesma coisa, mas talvez resultasse. | |
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| Tentou pedir, esboçou uma conversa sem propósito, mas não passou disso. Teve vergonha de formular o pedido, embaraçou-se nas palavras requeridas e passou outra noite de insónia. A boneca nem chegou a perceber o que ele realmente queria. | |
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| Na terceira noite, de olhos a arder, o urso de peluche cabeceou de sono, mas não conseguiu dormir como deve ser. Faltava-lhe a menina, a respiração da menina, o perfume da menina, os cabelos da menina, a comicharem-lhe o nariz. Ah, se ele soubesse para onde é que ela tinha ido!
À quarta noite... | |
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| Não, não vamos fazê-lo sofrer mais.
Antes da nova noite de espertina que se anunciava, o pai de Teresa entrou no quarto, agarrou no urso de peluche e meteu-o na pasta. Para onde era a viagem? Já se calcula.
Quando o pai chegou à casa de férias e tirou o ursinho da pasta, foi uma alegria. | |
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| - Vamos lá ver se, daqui para a frente, adormeces sem rabujar - disse ele para a menina, que se abraçava ao urso de peluche como se fosse uma prenda nova.
- Não faz sentido que continues sempre presa ao teu urso de peluche - continuou o pai. - Tu vais crescer e, qualquer dia, tens de aprender a dormir sem o ursinho. | |
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