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Ilustração de abertura da história «Comichão de cão».

1 de Março

Comichão de cão

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

O meu cão está com comichão. Coça-se desenfreadamente , todo o santo dia.

- Queres tomar uma banhoca? - pergunto-lhe eu.

Mas ele foge-me. Diz que não é cão de água e que as pulgas são dele, só dele, muito dele.

O meu cão tem um azar ao banho que nunca vi.

- Preferes continuar com essa comichão, preferes?

Ele diz que sim e coça-se.

Mas isto não me parece bem. Quem o vir naquele desespero o que dirá? Que o dono é um porco, porque nunca dá banho ao desgraçado do cão.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Tive de tomar providências. Fui passear com ele à praia e, de repente, sem me despir, atirei-me para o meio das ondas. Ele que me segue para todo o lado, seguiu-me. Coisas do instinto, de que rapidamente se arrependeu, mas já era tarde. Estávamos os dois a nadar, cada qual no seu estilo. Eu tiritava, porque o mar de Março é gelo derretido. Nunca experimentem.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Quando, ambos a pingar, regressámos a casa, fui logo acender a lareira e mudar de roupa. Ele ficou com o pêlo de sempre, mas já não se coçava.

As pulgas teriam morrido afogadas ou de frio ou de susto. O meu cão de pêlo salgado regalava-se ao calor da lareira.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Lá para Julho volto a experimentar o truque. Pode não resultar, mas, ao menos, já não me constipo.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para Comichão de cão
Ilustração original recuperada

O meu cão está com comichão. Coça-se desenfreadamente , todo o santo dia.

- Queres tomar uma banhoca? - pergunto-lhe eu.

Mas ele foge-me. Diz que não é cão de água e que as pulgas são dele, só dele, muito dele.

O meu cão tem um azar ao banho que nunca vi.

- Preferes continuar com essa comichão, preferes?

Ele diz que sim e coça-se.

Mas isto não me parece bem. Quem o vir naquele desespero o que dirá? Que o dono é um porco, porque nunca dá banho ao desgraçado do cão.

Tive de tomar providências. Fui passear com ele à praia e, de repente, sem me despir, atirei-me para o meio das ondas. Ele que me segue para todo o lado, seguiu-me. Coisas do instinto, de que rapidamente se arrependeu, mas já era tarde. Estávamos os dois a nadar, cada qual no seu estilo. Eu tiritava, porque o mar de Março é gelo derretido. Nunca experimentem.

Quando, ambos a pingar, regressámos a casa, fui logo acender a lareira e mudar de roupa. Ele ficou com o pêlo de sempre, mas já não se coçava.

As pulgas teriam morrido afogadas ou de frio ou de susto. O meu cão de pêlo salgado regalava-se ao calor da lareira.

Lá para Julho volto a experimentar o truque. Pode não resultar, mas, ao menos, já não me constipo.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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