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| Comichão de cão António Torrado Cristina Malaquias | |
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| O meu cão está com comichão. Coça-se desenfreadamente, todo o santo dia.
- Queres tomar uma banhoca? - pergunto-lhe eu.
Mas ele foge-me. Diz que não é cão de água e que as pulgas são dele, só dele, muito dele.
O meu cão tem um azar ao banho que nunca vi. | |
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| - Preferes continuar com essa comichão, preferes?
Ele diz que sim e coça-se.
Mas isto não me parece bem. Quem o vir naquele desespero o que dirá? Que o dono é um porco, porque nunca dá banho ao desgraçado do cão. | |
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| Tive de tomar providências. Fui passear com ele à praia e, de repente, sem me despir, atirei-me para o meio das ondas. Ele que me segue para todo o lado, seguiu-me. Coisas do instinto, de que rapidamente se arrependeu, mas já era tarde. Estávamos os dois a nadar, cada qual no seu estilo. Eu tiritava, porque o mar de Março é gelo derretido. Nunca experimentem. | |
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| Quando, ambos a pingar, regressámos a casa, fui logo acender a lareira e mudar de roupa. Ele ficou com o pêlo de sempre, mas já não se coçava.
As pulgas teriam morrido afogadas ou de frio ou de susto. O meu cão de pêlo salgado regalava-se ao calor da lareira. | |
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