8 de Fevereiro
Uma História de Encantar com Batatas
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
Um camponês, que vivia no meio das serras, só tinha a filha por companhia. Por sinal que era uma linda menina.
Estava ele a semear batatas e apareceu-lhe um morcego.
- Vou casar com a tua filha - disse-lhe o morcego.
- Tu? - indignou-se o pai da menina. - Quem te dá autorização para tal?
- Hás-de tu dar-me - respondeu-lhe o morcego.
- Eu sou muito rico. Descobri um tesouro, numa gruta. Anda ver.
Foram ver. Era verdade.
O camponês ficou muito embaraçado. Ele só queria o bem da filha e aquele tesouro podia proporcionar-lhe tudo o que ela desejasse. Mas casá-la com um morcego era demais. O camponês, então, levantou a sachola e deu uma sacholada no morcego.
O pobre bicho, que não esperava esta recompensa, cambaleou, esvoaçou, desamparado e fugiu pela entrada da gruta.
"Não há-de ir longe", pensou o camponês, fechando à chave o cofre do tesouro e metendo a chave no bolso.
Não foi longe, não.
Com uma asa fendida , o morcego foi embater de encontro à vidraça da janela do quarto da filha do camponês.
- Pobre bichinho - condoeu-se a rapariga. - Quem te teria feito tanto mal?
Em socorro do morcego, a boa moça ligou-lhe a asa ferida com muita meiguice e aninhou-o num cesto da cozinha.
- Vou tratar de ti até tu ficares bom - prometeu-lhe a menina, fazendo-lhe uma festa na feia cabeça de rato.
- E espero que de mim trates para sempre, gentil menina - disse o morcego, transformando-se, num repente, em príncipe, daqueles dos contos de fadas.
Era, como se vê, um príncipe encantado, que a filha do camponês desencantara. Ainda bem.
Quando o camponês regressou a casa, com uma das mãos no bolso, agarrada à chave do cofre, e a outra a segurar o cabo da sachola, quando o camponês regressou a casa e viu o príncipe e a filha de mãos enlaçadas, não gostou da surpresa.
Mas a menina explicou tudo e o príncipe apressou-se a pedir-lhe a mão da filha em casamento.
- Pretendentes não te faltam - comentou o camponês para a filha. - Ainda há pouco um morcego nojento se atreveu a pedir-me o mesmo. Mas eu atirei-lhe uma cacetada com o sacho.
- Que ainda me dói o ombro - acrescentou o príncipe, sorrindo.
O camponês ficou muito atrapalhado. Para mais, havia aquela história do tesouro, onde ele não se portara muito bem.
Mas o príncipe, como se lhe lesse os pensamentos, tranquilizou-o.
- Guarda para ti a chave do tesouro. Tudo o que o cofre contém passa a pertencer-te. E espero que, nas tuas mãos, se multiplique.
Sendo assim, o camponês condescendeu em que o príncipe desencantado lhe levasse a filha para o seu palácio, que ainda era longe.
Depois de tantas emoções, merecia descanso. Quando a filha e o noivo abalaram, o camponês voltou à gruta, onde estava o cofre. Queria contemplar e sopesar toda a sua riqueza.
Mas não querem lá ver?!
Então o ouro não se transformara em batatas, batatas de semente?! Mágicas... Malícias mágicas de um príncipe, que fora morcego...
Podia ser pior - comentou, conformado, o camponês, que sabia o valor das batatas de semente e já imaginava o extenso batatal que aquelas batatas iriam proporcionar-lhe.
Mas, para consegui-lo, muito teria ele de dar à sachola...
António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.
Um camponês, que vivia no meio das serras, só tinha a filha por companhia. Por sinal que era uma linda menina.
Estava ele a semear batatas e apareceu-lhe um morcego.
- Vou casar com a tua filha - disse-lhe o morcego.
- Tu? - indignou-se o pai da menina. - Quem te dá autorização para tal?
- Hás-de tu dar-me - respondeu-lhe o morcego.
- Eu sou muito rico. Descobri um tesouro, numa gruta. Anda ver.
Foram ver. Era verdade.
O camponês ficou muito embaraçado. Ele só queria o bem da filha e aquele tesouro podia proporcionar-lhe tudo o que ela desejasse. Mas casá-la com um morcego era demais. O camponês, então, levantou a sachola e deu uma sacholada no morcego.
O pobre bicho, que não esperava esta recompensa, cambaleou, esvoaçou, desamparado e fugiu pela entrada da gruta.
"Não há-de ir longe", pensou o camponês, fechando à chave o cofre do tesouro e metendo a chave no bolso.
Não foi longe, não.
Com uma asa fendida , o morcego foi embater de encontro à vidraça da janela do quarto da filha do camponês.
- Pobre bichinho - condoeu-se a rapariga. - Quem te teria feito tanto mal?
Em socorro do morcego, a boa moça ligou-lhe a asa ferida com muita meiguice e aninhou-o num cesto da cozinha.
- Vou tratar de ti até tu ficares bom - prometeu-lhe a menina, fazendo-lhe uma festa na feia cabeça de rato.
- E espero que de mim trates para sempre, gentil menina - disse o morcego, transformando-se, num repente, em príncipe, daqueles dos contos de fadas.
Era, como se vê, um príncipe encantado, que a filha do camponês desencantara. Ainda bem.
Quando o camponês regressou a casa, com uma das mãos no bolso, agarrada à chave do cofre, e a outra a segurar o cabo da sachola, quando o camponês regressou a casa e viu o príncipe e a filha de mãos enlaçadas, não gostou da surpresa.
Mas a menina explicou tudo e o príncipe apressou-se a pedir-lhe a mão da filha em casamento.
- Pretendentes não te faltam - comentou o camponês para a filha. - Ainda há pouco um morcego nojento se atreveu a pedir-me o mesmo. Mas eu atirei-lhe uma cacetada com o sacho.
- Que ainda me dói o ombro - acrescentou o príncipe, sorrindo.
O camponês ficou muito atrapalhado. Para mais, havia aquela história do tesouro, onde ele não se portara muito bem.
Mas o príncipe, como se lhe lesse os pensamentos, tranquilizou-o.
- Guarda para ti a chave do tesouro. Tudo o que o cofre contém passa a pertencer-te. E espero que, nas tuas mãos, se multiplique.
Sendo assim, o camponês condescendeu em que o príncipe desencantado lhe levasse a filha para o seu palácio, que ainda era longe.
Depois de tantas emoções, merecia descanso. Quando a filha e o noivo abalaram, o camponês voltou à gruta, onde estava o cofre. Queria contemplar e sopesar toda a sua riqueza.
Mas não querem lá ver?!
Então o ouro não se transformara em batatas, batatas de semente?! Mágicas... Malícias mágicas de um príncipe, que fora morcego...
Podia ser pior - comentou, conformado, o camponês, que sabia o valor das batatas de semente e já imaginava o extenso batatal que aquelas batatas iriam proporcionar-lhe.
Mas, para consegui-lo, muito teria ele de dar à sachola...
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