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| Uma História de Encantar com Batatas António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Um camponês, que vivia no meio das serras, só tinha a filha por companhia. Por sinal que era uma linda menina.
Estava ele a semear batatas e apareceu-lhe um morcego.
- Vou casar com a tua filha - disse-lhe o morcego.
- Tu? - indignou-se o pai da menina. - Quem te dá autorização para tal?
- Hás-de tu dar-me - respondeu-lhe o morcego. | |
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| - Eu sou muito rico. Descobri um tesouro, numa gruta. Anda ver.
Foram ver. Era verdade.
O camponês ficou muito embaraçado. Ele só queria o bem da filha e aquele tesouro podia proporcionar-lhe tudo o que ela desejasse. Mas casá-la com um morcego era demais. O camponês, então, levantou a sachola e deu uma sacholada no morcego. | |
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| O pobre bicho, que não esperava esta recompensa, cambaleou, esvoaçou, desamparado e fugiu pela entrada da gruta.
"Não há-de ir longe", pensou o camponês, fechando à chave o cofre do tesouro e metendo a chave no bolso.
Não foi longe, não. | |
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| Com uma asa fendida, o morcego foi embater de encontro à vidraça da janela do quarto da filha do camponês.
- Pobre bichinho - condoeu-se a rapariga. - Quem te teria feito tanto mal?
Em socorro do morcego, a boa moça ligou-lhe a asa ferida com muita meiguice e aninhou-o num cesto da cozinha. | |
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| - Vou tratar de ti até tu ficares bom - prometeu-lhe a menina, fazendo-lhe uma festa na feia cabeça de rato.
- E espero que de mim trates para sempre, gentil menina - disse o morcego, transformando-se, num repente, em príncipe, daqueles dos contos de fadas. | |
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| Era, como se vê, um príncipe encantado, que a filha do camponês desencantara. Ainda bem.
Quando o camponês regressou a casa, com uma das mãos no bolso, agarrada à chave do cofre, e a outra a segurar o cabo da sachola, quando o camponês regressou a casa e viu o príncipe e a filha de mãos enlaçadas, não gostou da surpresa. | |
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| Mas a menina explicou tudo e o príncipe apressou-se a pedir-lhe a mão da filha em casamento.
- Pretendentes não te faltam - comentou o camponês para a filha. - Ainda há pouco um morcego nojento se atreveu a pedir-me o mesmo. Mas eu atirei-lhe uma cacetada com o sacho.
- Que ainda me dói o ombro - acrescentou o príncipe, sorrindo. | |
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| O camponês ficou muito atrapalhado. Para mais, havia aquela história do tesouro, onde ele não se portara muito bem.
Mas o príncipe, como se lhe lesse os pensamentos, tranquilizou-o.
- Guarda para ti a chave do tesouro. Tudo o que o cofre contém passa a pertencer-te. E espero que, nas tuas mãos, se multiplique. | |
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| Sendo assim, o camponês condescendeu em que o príncipe desencantado lhe levasse a filha para o seu palácio, que ainda era longe.
Depois de tantas emoções, merecia descanso. Quando a filha e o noivo abalaram, o camponês voltou à gruta, onde estava o cofre. Queria contemplar e sopesar toda a sua riqueza.
Mas não querem lá ver?! | |
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