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Ilustração de abertura da história «Não é Camelo».

18 de Janeiro

Não é Camelo

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Ninguém gosta que o tratem por camelo.

- Seu camelo, não sabe parar nas zebras?

Não é conversa de savana nem de jardim zoológico, mas fala de peão furioso para automobilista desastroso, perigoso, criminoso, que não sabe abrandar nas passagens zebradas.

- Camelo é você, sua besta - dirá em resposta o vergonhoso automobilista, mas sem razão nenhuma.

De facto, ninguém gosta que o tratem por camelo. Principalmente o dromedário.

- Não sou camelo - enerva-se o dromedário. - Eu só tenho uma bossa. O camelo tem duas.

Mas há sempre quem faça confusão.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Para que não sobrassem dúvidas, o dromedário mandou espalhar um anúncio com os seguintes dizeres: camelo - 2, dromedário - 1. Ia resultar, ele tinha a certeza.

Quando os turistas, armados de máquinas fotográficas, desembarcassem e vissem um dromedário, não gritariam, todos excitados:

- Olha um camelo!

- Vai chamar camelo ao filho do teu paizinho, meu grande burro - diria o dromedário, entre dentes.

Com aqueles cartazes acabavam-se as confusões.

Não acabaram.

- Olha: os camelos ganharam aos dromedários por dois a um - diziam os turistas.

- Camelos! Camelos! Camelos!

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- gritava, para dentro, o dromedário.

Até que resolveu mandar colar pelas paredes outro anúncio, com os seguintes dizeres: 1 dromedário + 1 dromedário = 1 camelo.

Percebia-se a intenção. Uma corcova mais uma corcova, igual a duas corcovas. Só os camelos é que não gostaram da comparação. Um camelo igual a dois dromedários? Que era lá isso?

Vieram, muito zangados, pedir explicações ao dromedário. Ou ele desistia do afrontoso cartaz ou havia guerra.

O dromedário, que era pacífico, mandou arrancar os cartazes. Vendo bem, os camelos tinham alguma razão.

- Olha um camelo - gritava um turista, apontando-lhe a máquina fotográfica.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Pacífico seria, mas naquela altura, não aguentando mais, o dromedário deu um coice, que estatelou o turista. Depois, assustado com o que fizera, fugiu.

- O malandro do camelo ia-me matando - queixava-se o turista.

- Onde é que ele está? Para onde é que ele foi? - perguntou um polícia árabe, acorrendo.

- Naquele sentido - apontou o turista.

- Eu já o apanho, descanse - prometeu o polícia.

Pôs-se a correr e, pouco adiante, passou pelo dromedário, sem lhe ligar. O polícia árabe sabia distinguir um dromedário de um camelo.

- Viste um camelo a fugir, nesta direcção? - perguntou o polícia ao dromedário.

- Não reparei - disfarçou o dromedário. - Porquê?

- Porque parece que esse camelo deu um coice a um turista. Se eu o apanho... - ameaçou o polícia com o chanfalho , apressando o passo.

O dromedário viu-lhe os calcanhares e suspirou fundo. Pela primeira vez sentia que a confusão entre camelos e dromedários lhe tinha sido favorável.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Ninguém gosta que o tratem por camelo.

- Seu camelo, não sabe parar nas zebras?

Não é conversa de savana nem de jardim zoológico, mas fala de peão furioso para automobilista desastroso, perigoso, criminoso, que não sabe abrandar nas passagens zebradas.

- Camelo é você, sua besta - dirá em resposta o vergonhoso automobilista, mas sem razão nenhuma.

De facto, ninguém gosta que o tratem por camelo. Principalmente o dromedário.

- Não sou camelo - enerva-se o dromedário. - Eu só tenho uma bossa. O camelo tem duas.

Mas há sempre quem faça confusão.

Para que não sobrassem dúvidas, o dromedário mandou espalhar um anúncio com os seguintes dizeres: camelo - 2, dromedário - 1. Ia resultar, ele tinha a certeza.

Quando os turistas, armados de máquinas fotográficas, desembarcassem e vissem um dromedário, não gritariam, todos excitados:

- Olha um camelo!

- Vai chamar camelo ao filho do teu paizinho, meu grande burro - diria o dromedário, entre dentes.

Com aqueles cartazes acabavam-se as confusões.

Não acabaram.

- Olha: os camelos ganharam aos dromedários por dois a um - diziam os turistas.

- Camelos! Camelos! Camelos!

- gritava, para dentro, o dromedário.

Até que resolveu mandar colar pelas paredes outro anúncio, com os seguintes dizeres: 1 dromedário + 1 dromedário = 1 camelo.

Percebia-se a intenção. Uma corcova mais uma corcova, igual a duas corcovas. Só os camelos é que não gostaram da comparação. Um camelo igual a dois dromedários? Que era lá isso?

Vieram, muito zangados, pedir explicações ao dromedário. Ou ele desistia do afrontoso cartaz ou havia guerra.

O dromedário, que era pacífico, mandou arrancar os cartazes. Vendo bem, os camelos tinham alguma razão.

- Olha um camelo - gritava um turista, apontando-lhe a máquina fotográfica.

- Pacífico seria, mas naquela altura, não aguentando mais, o dromedário deu um coice, que estatelou o turista. Depois, assustado com o que fizera, fugiu.

- O malandro do camelo ia-me matando - queixava-se o turista.

- Onde é que ele está? Para onde é que ele foi? - perguntou um polícia árabe, acorrendo.

- Naquele sentido - apontou o turista.

- Eu já o apanho, descanse - prometeu o polícia.

Pôs-se a correr e, pouco adiante, passou pelo dromedário, sem lhe ligar. O polícia árabe sabia distinguir um dromedário de um camelo.

- Viste um camelo a fugir, nesta direcção? - perguntou o polícia ao dromedário.

- Não reparei - disfarçou o dromedário. - Porquê?

- Porque parece que esse camelo deu um coice a um turista. Se eu o apanho... - ameaçou o polícia com o chanfalho , apressando o passo.

O dromedário viu-lhe os calcanhares e suspirou fundo. Pela primeira vez sentia que a confusão entre camelos e dromedários lhe tinha sido favorável.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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