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Ilustração de abertura da história «A Pena da Galinhola».

29 de Dezembro

A Pena da Galinhola

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Esta história passou-se há muito tempo. Há muito e muito tempo, tanto que eu já não sei se me lembro dela toda.

Começa com um lavrador que ia para a sua lavoura, pelo meio do mato. Nisto viu uma cobra a lutar com uma galinhola. O lavrador, já se vê, tomou partido da galinhola e deu uma grande sacholada na cobra que se partiu em duas, cabeça para um lado, rabo para o outro.

Então a galinhola falou assim:

- Eu sou o génio do bem e tu acabas de salvar-me do génio do mal. Podes pedir-me o que quiseres.

O lavrador não se fez rogado. Disse que lhe tinha acabado de nascer uma filha e que, como bom pai, queria para a menina tudo o que de melhor houvesse.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Disse a galinhola:

- A tua filha há-de ser formosa, bem prendada...

- E muito curiosa - acrescentou a cabeça da cobra, que ainda rabiava.

Tanto se cumpriria a sentença do génio do bem como a do génio do mal.

A galinhola deu uma pedra do chão ao pai da menina e recomendou-lhe:

- Guarda esta pedra contigo, que é um talismã para proteger a tua filha. Mas que ela nunca lhe pegue.

O pai assim fez. Guardou a pedra numa gaveta e fechou-a à chave. Só ele e a mulher sabiam o que a pedra valia.

A menina cresceu. Um dia, os pais esqueceram-se da chave em casa.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

A menina, que era muito curiosa, foi abrir a gaveta. De lá tirou a pedrinha. Atirou-a pela janela fora.

Logo ali se armou uma grande tempestade que arrebatou a menina pelo ar. Ia morrer pela certa.

Mas uma pena de galinhola rodopiou à volta da menina, que a ela se agarrou como um náufrago se agarra à última salvação de um madeiro.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

A pena sustentou-se no ar e, depois, poisou-a, sã e salva, no chão.

O resto desta história muito antiga já não me lembro bem, mas parece que a menina foi ter aos jardins de um palácio, onde estava um príncipe que tinha perdido a pena do chapéu... Está-se mesmo a ver como a história vai acabar.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para A Pena da Galinhola
Ilustração original recuperada

Esta história passou-se há muito tempo. Há muito e muito tempo, tanto que eu já não sei se me lembro dela toda.

Começa com um lavrador que ia para a sua lavoura, pelo meio do mato. Nisto viu uma cobra a lutar com uma galinhola. O lavrador, já se vê, tomou partido da galinhola e deu uma grande sacholada na cobra que se partiu em duas, cabeça para um lado, rabo para o outro.

Então a galinhola falou assim:

- Eu sou o génio do bem e tu acabas de salvar-me do génio do mal. Podes pedir-me o que quiseres.

O lavrador não se fez rogado. Disse que lhe tinha acabado de nascer uma filha e que, como bom pai, queria para a menina tudo o que de melhor houvesse.

Disse a galinhola:

- A tua filha há-de ser formosa, bem prendada...

- E muito curiosa - acrescentou a cabeça da cobra, que ainda rabiava.

Tanto se cumpriria a sentença do génio do bem como a do génio do mal.

A galinhola deu uma pedra do chão ao pai da menina e recomendou-lhe:

- Guarda esta pedra contigo, que é um talismã para proteger a tua filha. Mas que ela nunca lhe pegue.

O pai assim fez. Guardou a pedra numa gaveta e fechou-a à chave. Só ele e a mulher sabiam o que a pedra valia.

A menina cresceu. Um dia, os pais esqueceram-se da chave em casa.

A menina, que era muito curiosa, foi abrir a gaveta. De lá tirou a pedrinha. Atirou-a pela janela fora.

Logo ali se armou uma grande tempestade que arrebatou a menina pelo ar. Ia morrer pela certa.

Mas uma pena de galinhola rodopiou à volta da menina, que a ela se agarrou como um náufrago se agarra à última salvação de um madeiro.

A pena sustentou-se no ar e, depois, poisou-a, sã e salva, no chão.

O resto desta história muito antiga já não me lembro bem, mas parece que a menina foi ter aos jardins de um palácio, onde estava um príncipe que tinha perdido a pena do chapéu... Está-se mesmo a ver como a história vai acabar.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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