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Ilustração de abertura da história «A Estrela de Prata».

25 de Dezembro

A Estrela de Prata

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Numa árvore que eu cá sei - que nós sabemos - estão uma estrela de prata e uma bola de cristal.

- Que fazemos aqui? - perguntou a estrela.

- Estamos a enfeitar - respondeu a bola.

- O que é enfeitar? - perguntou a estrela.

- É fazer vista, ornamentar, alindar... - respondeu a bola de cristal.

Passou-se um tempo e a estrela perguntou de novo:

- Porque estamos a enfeitar?

- Porque esta árvore não é como as outras. Os frutos dela são raros.

Aparecem um dia, luzem o seu quê, conforme sabem ou podem, e depois são colhidos e guardados, até para o ano.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

A bola de cristal tinha muita experiência de outros Natais, ao passo que a estrela era nova, de prata fresca, e não sabia quase nada. Mas tinha ouvido falar que havia estrelas cadentes, estrelas que caem do céu e no céu desaparecem, num sopro de luz.

- Não serei uma dessas? - perguntou à bola.

- Talvez sejas, talvez não sejas... Mas não experimentes.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Passou-se um tempo mais, e a estrela guardou para si aquela ideia, uma ideia pequenina. "Não experimentes", dissera-lhe a bola. E se experimentasse? Foi o que fez.

Caiu, num susto, mas como era leve, inocente e frágil, uma corrente de ar, vinda de uma porta aberta, algures, levou-a consigo.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Levou-a consigo e fê-la poisar, sem estrago, no fofo musgo.

- Olha, é a estrela da gruta - disse alguém que estava a armar o presépio.

E estrela do presépio ficou.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Donde estava, onde a puseram, via o presépio, os pastores, os reis magos, as lavadeiras com a trouxa à cabeça, as leiteiras com a bilha à cinta, os vagabundos, o moleiro, o azeiteiro e todo o povo do presépio e mais as pessoas de carne e osso, que vinham admirar aquela lindeza, sorrir para o Menino Jesus e olhar para a estrela, suspensa do alto da gruta.

Estrela de oito pontas que era, a apontar em todas as direcções, nem ela sabia para onde, brilhou imenso. Brilhou o mais que pôde.

Para o ano, a estrela de prata já tem muito que contar à bola de cristal.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para A Estrela de Prata
Ilustração original recuperada

Numa árvore que eu cá sei - que nós sabemos - estão uma estrela de prata e uma bola de cristal.

- Que fazemos aqui? - perguntou a estrela.

- Estamos a enfeitar - respondeu a bola.

- O que é enfeitar? - perguntou a estrela.

- É fazer vista, ornamentar, alindar... - respondeu a bola de cristal.

Passou-se um tempo e a estrela perguntou de novo:

- Porque estamos a enfeitar?

- Porque esta árvore não é como as outras. Os frutos dela são raros.

Aparecem um dia, luzem o seu quê, conforme sabem ou podem, e depois são colhidos e guardados, até para o ano.

A bola de cristal tinha muita experiência de outros Natais, ao passo que a estrela era nova, de prata fresca, e não sabia quase nada. Mas tinha ouvido falar que havia estrelas cadentes, estrelas que caem do céu e no céu desaparecem, num sopro de luz.

- Não serei uma dessas? - perguntou à bola.

- Talvez sejas, talvez não sejas... Mas não experimentes.

Passou-se um tempo mais, e a estrela guardou para si aquela ideia, uma ideia pequenina. "Não experimentes", dissera-lhe a bola. E se experimentasse? Foi o que fez.

Caiu, num susto, mas como era leve, inocente e frágil, uma corrente de ar, vinda de uma porta aberta, algures, levou-a consigo.

Levou-a consigo e fê-la poisar, sem estrago, no fofo musgo.

- Olha, é a estrela da gruta - disse alguém que estava a armar o presépio.

E estrela do presépio ficou.

Donde estava, onde a puseram, via o presépio, os pastores, os reis magos, as lavadeiras com a trouxa à cabeça, as leiteiras com a bilha à cinta, os vagabundos, o moleiro, o azeiteiro e todo o povo do presépio e mais as pessoas de carne e osso, que vinham admirar aquela lindeza, sorrir para o Menino Jesus e olhar para a estrela, suspensa do alto da gruta.

Estrela de oito pontas que era, a apontar em todas as direcções, nem ela sabia para onde, brilhou imenso. Brilhou o mais que pôde.

Para o ano, a estrela de prata já tem muito que contar à bola de cristal.

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