• Texto original recuperado
  • Ilustração original recuperada
  • PDF recuperado
  • Áudio original em Flash
  • Narração sintetizada
Ilustração de abertura da história «Entrevista com o Pai Natal».

23 de Dezembro

Entrevista com o Pai Natal

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Fomos encontrá-lo a fazer embrulhos e a arrumar sacos e malas no porta-bagagens do trenó. Para meter conversa, visto que o Pai Natal, sujeito muito modesto, não gosta de ser entrevistado, perguntámos-lhe:

- Então, muito trabalho, este ano?

- Nem calcula! É que as meninas e os meninos estão cada vez mais exigentes. Só querem brinquedos caros e volumosos.

Ora, eu, francamente, já não tenho forças para carregar com tanta coisa! Tome o peso a esta caixa, faça favor.

Nós pegámos na caixa e concordámos que era pesada.

- É um comboio eléctrico inteirinho, com os comandos, carruagens, baterias, central, estações e apeadeiros. Pois multiplique este peso por centenas e centenas. Veja o meu trabalho! E não tenho ninguém que me ajude.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Tivemos pena do Pai natal.

- Claro que os meninos, depois, queixam-se de que eu não trouxe tudo o que eles pedem... Pois como havia de ser de outra forma? Para chegar a todos - e nem faz ideia quanto me custa nem sempre chegar a todos - tenho de reduzir a encomenda de cada um. O porta-bagagens do trenó não é elástico e as minhas forças também têm limites.

- Só a sua paciência, Pai Natal, é infinita - dissemos-lhe nós, a ver o que ele respondia.

- Nem sempre, meu amigo, nem sempre! Quando recebo cartas como esta, perco a paciência. Ora leia.

Desdobrou uma folha de papel e deu-nos a ler.

A carta era assim:

"Querido Pai Natal:

Queria pedir-lhe uma boneca daquelas grandes, que eu vi, no outro dia, numa montra, quando fui sair com a minha mãe. Queria o enxoval completo da boneca, uma banheira para lhe dar banho, um pente, uma escova e um secador para cabelos de bonecas. Queria também um serviço de chá para bonecas, um triciclo, um jogo e uma lapiseira azul.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Para a minha irmã não mande nada, porque ela só sabe estragar-me os brinquedos.

Beijinhos da sua amiga

Luísa"

- Leu tudo? Que tal aquele bocadinho em que ela diz para eu não dar nada à irmã? Veja se não é de um pessoa perder a cabeça!

- Mas não a perca, Pai Natal - dissemos.

- A sua cabeça, onde cabem milhões de nomes, moradas e pedidos, é preciosa.

- Nem me fale disso! Já não tenho memória para tanta coisa. Os pedidos são muitos, as listas aumentam de ano para ano...

– Não diga que já trocou encomendas? - perguntámos.

O Pai Natal, com a sua longa experiência, deve ter imensas histórias para contar.

- Se tenho!

- e as bochechas rosadas do Pai Natal alargavam-se num grande riso. - Calcule que, uma vez, num bosque, o Lobo Feroz confundiu-me com o Capuchinho Vermelho. Dei-lhe uma cacetada como prenda, mas deixei-lhe um livro com a "História do Capuchinho Vermelho", para que ele lesse até ao fim.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Que faz o Pai Natal quando o Natal acaba? - perguntámos.

- Descanso umas semaninhas e, depois, ponho-me a trabalhar para o Natal seguinte. Viajo muito, corro todas as exposições e fábricas de brinquedos, tiro apontamentos, faço as minhas encomendas... Quando calha, disfarço-me de velho mendigo e vou ter com os meninos, que tantos trabalhos me deram.

- E que sucede? Os meninos acarinham-no, falam consigo, dão-lhe alguma prenda?

- quisemos nós saber.

- Isso sim! Sofro cada desilusão, meu amigo, que é preferível ficarmos por aqui. Talvez para o ano que vem lhe conte mais coisas.

Couberam ao Pai Natal as últimas palavras da entrevista. Aguardemos um ano e, até lá, vejam se não desiludem o Pai Natal.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para Entrevista com o Pai Natal
Ilustração original recuperada

Fomos encontrá-lo a fazer embrulhos e a arrumar sacos e malas no porta-bagagens do trenó. Para meter conversa, visto que o Pai Natal, sujeito muito modesto, não gosta de ser entrevistado, perguntámos-lhe:

- Então, muito trabalho, este ano?

- Nem calcula! É que as meninas e os meninos estão cada vez mais exigentes. Só querem brinquedos caros e volumosos.

Ora, eu, francamente, já não tenho forças para carregar com tanta coisa! Tome o peso a esta caixa, faça favor.

Nós pegámos na caixa e concordámos que era pesada.

- É um comboio eléctrico inteirinho, com os comandos, carruagens, baterias, central, estações e apeadeiros. Pois multiplique este peso por centenas e centenas. Veja o meu trabalho! E não tenho ninguém que me ajude.

Tivemos pena do Pai natal.

- Claro que os meninos, depois, queixam-se de que eu não trouxe tudo o que eles pedem... Pois como havia de ser de outra forma? Para chegar a todos - e nem faz ideia quanto me custa nem sempre chegar a todos - tenho de reduzir a encomenda de cada um. O porta-bagagens do trenó não é elástico e as minhas forças também têm limites.

- Só a sua paciência, Pai Natal, é infinita - dissemos-lhe nós, a ver o que ele respondia.

- Nem sempre, meu amigo, nem sempre! Quando recebo cartas como esta, perco a paciência. Ora leia.

Desdobrou uma folha de papel e deu-nos a ler.

A carta era assim:

"Querido Pai Natal:

Queria pedir-lhe uma boneca daquelas grandes, que eu vi, no outro dia, numa montra, quando fui sair com a minha mãe. Queria o enxoval completo da boneca, uma banheira para lhe dar banho, um pente, uma escova e um secador para cabelos de bonecas. Queria também um serviço de chá para bonecas, um triciclo, um jogo e uma lapiseira azul.

Para a minha irmã não mande nada, porque ela só sabe estragar-me os brinquedos.

Beijinhos da sua amiga

Luísa"

- Leu tudo? Que tal aquele bocadinho em que ela diz para eu não dar nada à irmã? Veja se não é de um pessoa perder a cabeça!

- Mas não a perca, Pai Natal - dissemos.

- A sua cabeça, onde cabem milhões de nomes, moradas e pedidos, é preciosa.

- Nem me fale disso! Já não tenho memória para tanta coisa. Os pedidos são muitos, as listas aumentam de ano para ano...

– Não diga que já trocou encomendas? - perguntámos.

O Pai Natal, com a sua longa experiência, deve ter imensas histórias para contar.

- Se tenho!

- e as bochechas rosadas do Pai Natal alargavam-se num grande riso. - Calcule que, uma vez, num bosque, o Lobo Feroz confundiu-me com o Capuchinho Vermelho. Dei-lhe uma cacetada como prenda, mas deixei-lhe um livro com a "História do Capuchinho Vermelho", para que ele lesse até ao fim.

- Que faz o Pai Natal quando o Natal acaba? - perguntámos.

- Descanso umas semaninhas e, depois, ponho-me a trabalhar para o Natal seguinte. Viajo muito, corro todas as exposições e fábricas de brinquedos, tiro apontamentos, faço as minhas encomendas... Quando calha, disfarço-me de velho mendigo e vou ter com os meninos, que tantos trabalhos me deram.

- E que sucede? Os meninos acarinham-no, falam consigo, dão-lhe alguma prenda?

- quisemos nós saber.

- Isso sim! Sofro cada desilusão, meu amigo, que é preferível ficarmos por aqui. Talvez para o ano que vem lhe conte mais coisas.

Couberam ao Pai Natal as últimas palavras da entrevista. Aguardemos um ano e, até lá, vejam se não desiludem o Pai Natal.

Ouvir

Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

Voltar ao texto

Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Texto extraído das camadas HTML originais recuperadas. Imagens, PDF e áudio Flash são ficheiros locais do arquivo. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

Página original arquivada
Ver no arquivo
PDF original
Abrir PDF recuperado