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Ilustração de abertura da história «Manuel e Manuela».

5 de Dezembro

Manuel e Manuela

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Eles saíram desalvorados para a escola.

- Escusam de ir a correr - disse-lhes a mãe. - Têm tempo.

Manuel e Manuela refrearam a marcha. Se a mãe lhes dissera que tinham tempo é porque tinham.

Logo ali, quase à mão de apanhar, umas tangerinas, penduradas de um ramo, que lhes dizia adeus.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

O Manuel trepou ao muro e raptou duas tangerinas da tangerineira, uma para ele outra para a irmã. Fresquinhas. Deliciosas.

- De quem é o quintal? - perguntou a Manuela ao Manuel.

- É do cabo Octávio, da Guarda Republicana disse o Manuel.

- E se ele sabe? - assustou-se a Manuela, que gostava de assustar-se.

Mas já tinham comido as doces tangerinas.

Continuaram o caminho e logo por azar, à entrada da escola, deram com o cabo Octávio, postado de sentinela.

Os dois irmãos, ao verem-no, esconderam-se atrás de uma árvore.

- E se ele descobre? - assustou-se a Manuela.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Cheira-nos as mãos, que ainda cheiram à casca das tangerinas, e prende-nos.

Claro que era um exagero, uma tolice, mas quando se tem a consciência pesada só se pensa no pior.

- Vamos lavar as mãos ao rio - lembrou o Manuel.

Foram. O perfume da tangerina é que não saía nem por mais uma.

- Temos de arranjar sabão para lavar as mãos como deve ser - disse o Manuel.

Lavadeiras tinham deixado lençóis a secar, estendidos nas pedras lisas da beira-rio. E um bocadinho de sabão.

- Há-de ser da senhora Angelina, lavadeira - disse a Manuela.

Lavaram conscienciosamente as mãos, muito bem ensaboadas, mas o sabão escorregou-lhes e foi ao fundo. Não era grande a perda.

Eles a retomarem o caminho para a escola e a verem, ao longe, a senhora Angelina, com mais uma carga de roupa para lavar. Vinha em direcção a eles.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Claro que a Manuela e o Manuel, por causa da história do sabão, fugiram, sem que a lavadeira percebesse porquê.

Fugiram e perderam-se.

Quando retomaram o caminho e chegaram à escola, onde já não pairava a sombra do cabo Octávio, a aula tinha começado há que tempos.

A professora ralhou-lhes pelo atraso.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Hão-de dizer à vossa mãe para passar a acordar-vos mais cedo.

Os dois irmãos disseram que sim. Que mais podiam eles dizer?

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para Manuel e Manuela
Ilustração original recuperada

Eles saíram desalvorados para a escola.

- Escusam de ir a correr - disse-lhes a mãe. - Têm tempo.

Manuel e Manuela refrearam a marcha. Se a mãe lhes dissera que tinham tempo é porque tinham.

Logo ali, quase à mão de apanhar, umas tangerinas, penduradas de um ramo, que lhes dizia adeus.

O Manuel trepou ao muro e raptou duas tangerinas da tangerineira, uma para ele outra para a irmã. Fresquinhas. Deliciosas.

- De quem é o quintal? - perguntou a Manuela ao Manuel.

- É do cabo Octávio, da Guarda Republicana disse o Manuel.

- E se ele sabe? - assustou-se a Manuela, que gostava de assustar-se.

Mas já tinham comido as doces tangerinas.

Continuaram o caminho e logo por azar, à entrada da escola, deram com o cabo Octávio, postado de sentinela.

Os dois irmãos, ao verem-no, esconderam-se atrás de uma árvore.

- E se ele descobre? - assustou-se a Manuela.

- Cheira-nos as mãos, que ainda cheiram à casca das tangerinas, e prende-nos.

Claro que era um exagero, uma tolice, mas quando se tem a consciência pesada só se pensa no pior.

- Vamos lavar as mãos ao rio - lembrou o Manuel.

Foram. O perfume da tangerina é que não saía nem por mais uma.

- Temos de arranjar sabão para lavar as mãos como deve ser - disse o Manuel.

Lavadeiras tinham deixado lençóis a secar, estendidos nas pedras lisas da beira-rio. E um bocadinho de sabão.

- Há-de ser da senhora Angelina, lavadeira - disse a Manuela.

Lavaram conscienciosamente as mãos, muito bem ensaboadas, mas o sabão escorregou-lhes e foi ao fundo. Não era grande a perda.

Eles a retomarem o caminho para a escola e a verem, ao longe, a senhora Angelina, com mais uma carga de roupa para lavar. Vinha em direcção a eles.

Claro que a Manuela e o Manuel, por causa da história do sabão, fugiram, sem que a lavadeira percebesse porquê.

Fugiram e perderam-se.

Quando retomaram o caminho e chegaram à escola, onde já não pairava a sombra do cabo Octávio, a aula tinha começado há que tempos.

A professora ralhou-lhes pelo atraso.

- Hão-de dizer à vossa mãe para passar a acordar-vos mais cedo.

Os dois irmãos disseram que sim. Que mais podiam eles dizer?

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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