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Ilustração de abertura da história «Táxi».

4 de Dezembro

Táxi

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Deram ao cachorrinho o nome de "Táxi". Com tantos nomes disponíveis, logo foram escolher este! Mas ele não se importava.

- Táxi - chamavam.

E ele vinha, a dar ao rabo, sempre contente.

Mas eram os donos de má qualidade.

Gostavam de brincar com o cachorrinho, pois gostavam, mas quando o viram crescer e transformar-se num grande cão disseram:

- O Táxi só está a estorvar. Não podemos mantê-lo cá em casa.

Abandonaram-no. Há gente assim, sem coração.

O Táxi viu-se no meio de uma rua, com grande movimento, e desorientou-se.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Cheirou o ar e não deu com o caminho de casa. Nem valia a pena.

Supomos que o Táxi suspeitava que já não o queriam. Tinha de conformar-se. Ia ser um cão vadio, um cão de rua, um Táxi sem dono nem passageiro.

- Táxi - chamaram, perto.

Ele acorreu ao chamamento.

- Sai daqui, cão - enxotou-o uma senhora, que ia a apanhar um táxi.

- Táxi - chamaram, mais adiante.

O cão não se fez esperar, mas um senhor cheio de embrulhos, que ia a entrar num táxi, deu-lhe um pontapé.

Ele não percebia. Chamavam-no e logo o rejeitavam. Gente esquisita.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

De desilusão em desilusão, foi ter a uma praça de táxis. Mero acaso. Um motorista, que estava à espera de freguês, partilhou com ele uma bucha com queijo.

- Como te chamas? - perguntou-lhe o motorista por perguntar.

Se ele pudesse responder... Fosse como fosse, talvez por afinidade, foi-se deixando ficar.

Os motoristas acharam graça à alegre pressa com que ele se levantava dos quartos traseiros quando alguém pedia um táxi.

- É cá dos nossos - diziam.

E adoptaram-no. Continuava a ser um táxi livre, sem dono, mas protegido por uma quantidade de amigos.

Afinal o nome Táxi sempre lhe valera para alguma coisa.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para Táxi
Ilustração original recuperada

Deram ao cachorrinho o nome de "Táxi". Com tantos nomes disponíveis, logo foram escolher este! Mas ele não se importava.

- Táxi - chamavam.

E ele vinha, a dar ao rabo, sempre contente.

Mas eram os donos de má qualidade.

Gostavam de brincar com o cachorrinho, pois gostavam, mas quando o viram crescer e transformar-se num grande cão disseram:

- O Táxi só está a estorvar. Não podemos mantê-lo cá em casa.

Abandonaram-no. Há gente assim, sem coração.

O Táxi viu-se no meio de uma rua, com grande movimento, e desorientou-se.

Cheirou o ar e não deu com o caminho de casa. Nem valia a pena.

Supomos que o Táxi suspeitava que já não o queriam. Tinha de conformar-se. Ia ser um cão vadio, um cão de rua, um Táxi sem dono nem passageiro.

- Táxi - chamaram, perto.

Ele acorreu ao chamamento.

- Sai daqui, cão - enxotou-o uma senhora, que ia a apanhar um táxi.

- Táxi - chamaram, mais adiante.

O cão não se fez esperar, mas um senhor cheio de embrulhos, que ia a entrar num táxi, deu-lhe um pontapé.

Ele não percebia. Chamavam-no e logo o rejeitavam. Gente esquisita.

De desilusão em desilusão, foi ter a uma praça de táxis. Mero acaso. Um motorista, que estava à espera de freguês, partilhou com ele uma bucha com queijo.

- Como te chamas? - perguntou-lhe o motorista por perguntar.

Se ele pudesse responder... Fosse como fosse, talvez por afinidade, foi-se deixando ficar.

Os motoristas acharam graça à alegre pressa com que ele se levantava dos quartos traseiros quando alguém pedia um táxi.

- É cá dos nossos - diziam.

E adoptaram-no. Continuava a ser um táxi livre, sem dono, mas protegido por uma quantidade de amigos.

Afinal o nome Táxi sempre lhe valera para alguma coisa.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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