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Ilustração de abertura da história «Não tem Escolha».

3 de Dezembro

Não tem Escolha

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

A ele não valia a pena perguntarem-lhe o que queria ser quando fosse grande. A resposta, quisesse ele ou não quisesse, só podia ser uma:

- Rei.

Tinha de ser. Pois se ele era príncipe, filho único de um senhor rei, que outra coisa, profissão ou destino podia caber nos seus projectos de futuro?

Pensando nisto, o príncipe, que não tinha vontade nenhuma de ocupar o trono dos seus antepassados, entristecia.

Uma vez, ouvira o jardineiro dos jardins reais queixar-se:

- O meu filho, que eu gostava tanto que fosse jardineiro como eu, diz que não tem vocação para a jardinagem.

Se ele dissesse o mesmo (isto é, o equivalente!), o que é que aconteceria?

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Encheu-se de coragem e disse.

O rei, que era um homem compreensivo, respondeu-lhe:

- Meu filho, eu, quando tinha a tua idade, queria ser arquitecto, mas o teu avô deixou-me esta obrigação, que havia eu de fazer?

Por sinal que era um rei muito dado a construções.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Se o queriam ver feliz, mostrassem-lhe projectos de obras públicas, hospitais, escolas, novas cidades. O rei ficava encantado, dava opiniões, discutia com os arquitectos e os engenheiros como se fosse um deles.

- Se não tivesses de ser rei, o que é que gostavas de ser, quando fosses crescido? - perguntou o rei ao príncipe.

- Gostava de ser veterinário - respondeu o príncipe.

- Não vai ser fácil. Um rei veterinário não é muito comum. Há casos de reis-soldados, de reis-marinheiros, de reis-músicos, mas de reis-veterinários não tenho ideia. No entanto, vou pensar no assunto.

Era um bom pai e um bom rei.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Em segredo, começou a projectar um grande jardim zoológico. Desenhou tudo muito bem desenhado, como se fosse um arquitecto.

Quando tinha a obra toda projectada, estendeu os rolos dos projectos diante dos olhos do filho e disse-lhe:

- Ficam ao teu cuidado, para que tu construas o jardim, quando fores rei.

- Mas o pai podia mandar construir agora - disse o príncipe.

- Quero que fique à tua responsabilidade. Quando eu morrer, deixo-te o reino e estes projectos, para que te ocupes deles.

Assim sucedeu. O príncipe tornou-se rei. Não tinha outra alternativa.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Uma vez coroado, dedicou-se com entusiasmo aos trabalhos de governação. Mas com mais entusiasmo se dedicou a levantar o jardim zoológico, que, uma vez pronto, maravilhou o mundo.

Ao jardim deu o nome do senhor rei seu pai, que tinha querido ser arquitecto.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para Não tem Escolha
Ilustração original recuperada

A ele não valia a pena perguntarem-lhe o que queria ser quando fosse grande. A resposta, quisesse ele ou não quisesse, só podia ser uma:

- Rei.

Tinha de ser. Pois se ele era príncipe, filho único de um senhor rei, que outra coisa, profissão ou destino podia caber nos seus projectos de futuro?

Pensando nisto, o príncipe, que não tinha vontade nenhuma de ocupar o trono dos seus antepassados, entristecia.

Uma vez, ouvira o jardineiro dos jardins reais queixar-se:

- O meu filho, que eu gostava tanto que fosse jardineiro como eu, diz que não tem vocação para a jardinagem.

Se ele dissesse o mesmo (isto é, o equivalente!), o que é que aconteceria?

Encheu-se de coragem e disse.

O rei, que era um homem compreensivo, respondeu-lhe:

- Meu filho, eu, quando tinha a tua idade, queria ser arquitecto, mas o teu avô deixou-me esta obrigação, que havia eu de fazer?

Por sinal que era um rei muito dado a construções.

Se o queriam ver feliz, mostrassem-lhe projectos de obras públicas, hospitais, escolas, novas cidades. O rei ficava encantado, dava opiniões, discutia com os arquitectos e os engenheiros como se fosse um deles.

- Se não tivesses de ser rei, o que é que gostavas de ser, quando fosses crescido? - perguntou o rei ao príncipe.

- Gostava de ser veterinário - respondeu o príncipe.

- Não vai ser fácil. Um rei veterinário não é muito comum. Há casos de reis-soldados, de reis-marinheiros, de reis-músicos, mas de reis-veterinários não tenho ideia. No entanto, vou pensar no assunto.

Era um bom pai e um bom rei.

Em segredo, começou a projectar um grande jardim zoológico. Desenhou tudo muito bem desenhado, como se fosse um arquitecto.

Quando tinha a obra toda projectada, estendeu os rolos dos projectos diante dos olhos do filho e disse-lhe:

- Ficam ao teu cuidado, para que tu construas o jardim, quando fores rei.

- Mas o pai podia mandar construir agora - disse o príncipe.

- Quero que fique à tua responsabilidade. Quando eu morrer, deixo-te o reino e estes projectos, para que te ocupes deles.

Assim sucedeu. O príncipe tornou-se rei. Não tinha outra alternativa.

Uma vez coroado, dedicou-se com entusiasmo aos trabalhos de governação. Mas com mais entusiasmo se dedicou a levantar o jardim zoológico, que, uma vez pronto, maravilhou o mundo.

Ao jardim deu o nome do senhor rei seu pai, que tinha querido ser arquitecto.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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