2 de Dezembro
Grandes Bigodes
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
Era um senhor com uns grandes bigodes. Tinha muita vaidade nos seus imensos bigodes, muito espetados, metade para cada lado e um risco ao meio para se assoar à vontade.
À noite, dormia de barriga para o ar, porque não queria amachucar os bigodes.
De manhã, demorava mais tempo a pentear e alisar os bigodes do que a lavar-se. Mas lavava-se, podem crer!
No autocarro para o emprego, sempre muito cheio de gente, acotovelava à esquerda e à direita, para que não fossem de encontro aos seus belos bigodes.
Ao almoço, não comia sopa, para não sujar os bigodes. Nem ao jantar.
– Parece que está com uma guia do bigode mais comprida do que a outra – disseram-lhe, uma vez.
O senhor dos grandes bigodes não descansou enquanto não chegou a casa. Mirou-se e remirou-se ao espelho e, de tesoura na mão, cortou uma pontinha de um dos lados do bigode.
– Assim já está certo – disse.
Mas talvez não estivesse...
Então, cortou uma pontinha do outro lado.
– Agora é que está – disse.
Mas parecia que ainda não estava...
Passou a noite a cortar, ora dum lado ora do outro, sempre descontente, sempre impaciente.
E, quando chegou a manhã, o senhor dos grande bigodes já não tinha bigode.
FIM
António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.
Era um senhor com uns grandes bigodes. Tinha muita vaidade nos seus imensos bigodes, muito espetados, metade para cada lado e um risco ao meio para se assoar à vontade.
À noite, dormia de barriga para o ar, porque não queria amachucar os bigodes.
De manhã, demorava mais tempo a pentear e alisar os bigodes do que a lavar-se. Mas lavava-se, podem crer!
No autocarro para o emprego, sempre muito cheio de gente, acotovelava à esquerda e à direita, para que não fossem de encontro aos seus belos bigodes.
Ao almoço, não comia sopa, para não sujar os bigodes. Nem ao jantar.
– Parece que está com uma guia do bigode mais comprida do que a outra – disseram-lhe, uma vez.
O senhor dos grandes bigodes não descansou enquanto não chegou a casa. Mirou-se e remirou-se ao espelho e, de tesoura na mão, cortou uma pontinha de um dos lados do bigode.
– Assim já está certo – disse.
Mas talvez não estivesse...
Então, cortou uma pontinha do outro lado.
– Agora é que está – disse.
Mas parecia que ainda não estava...
Passou a noite a cortar, ora dum lado ora do outro, sempre descontente, sempre impaciente.
E, quando chegou a manhã, o senhor dos grande bigodes já não tinha bigode.
FIM
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