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Ilustração de abertura da história «Cuidado com o Poço».

16 de Novembro

Cuidado com o Poço

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Uma raposa, que vinha a fugir dos caçadores, enfiou para dentro de um poço, à falta de melhor esconderijo.

Lá no fundo, lamentou-se:

– Safei-me de morrer de uma chumbada, mas daqui de dentro é que eu não me salvo.

Era um poço seco, um poço abandonado. Recordando o antigo uso, tinha na borda um balde, preso a uma corda de rodízio. A outra ponta da corda estava caída no fundo, aos pés da raposa.

– Se eu conseguisse trepar pela corda acima, estava garantida – pensou a raposa.

Tentou, mas só conseguiu soltar o balde que balançou, na outra extremidade, como um sino sem badalo.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Uma ovelha, despegada de um rebanho que pastava num monte perto, estranhou o barulho e o balde a baloiçar, na boca do poço, e foi espreitar. A raposa viu-lhe a cabeça felpuda e gritou-lhe:

– Senhora ovelha, ainda bem que a encontro. Quero partilhar consigo esta novidade. Encontrei aqui em baixo uma mina de água, que é a uma maravilha. Um milagre! Mal a bebemos, ficamos com asas. Tão leves, tão leves que nem passarinhos…

A parva da ovelha entusiasmou-se:

– Com asas? Quem me dera! Como posso provar dessa água milagrosa?

– Meta-se no balde, que está aí em cima, e venha ter comigo, antes que a água acabe.

A ovelha não pensou duas vezes. Atirou-se para dentro do balde, que desceu com o peso, puxando para cima a outra ponta da corda, onde vinha agarrada a raposa.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

– Eu bem dizia que este poço dava asas – dizia a espertalhona, ao pôr os pés em chão seguro.

E fugiu daquela armadilha do destino, a rir-se da malvadez.

A ovelha baliu desesperada e humilhada com a sua tontice. Dar ouvidos a uma raposa, acreditar em água ou o que fosse que oferece asas a quem quer beber, que disparate, que estupidez!

Por tanta imbecilidade junta, mais merecia ela lá ficar no fundo do poço do que a raposa. A ovelha chorou, mas já não lhe valia de nada.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Vá que vá que ainda lhe valeu…

O pastor, quando foi a contar as ovelhas e deu pela falta de uma, foi procurá-la.

Chamado pelas lamúrias da ovelha, chegou-se à beira do poço e salvou-a a tempo.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Vá que vá que a história acabou em bem…

Mas nem sempre acabam assim…

António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Uma raposa, que vinha a fugir dos caçadores, enfiou para dentro de um poço, à falta de melhor esconderijo.

Lá no fundo, lamentou-se:

– Safei-me de morrer de uma chumbada, mas daqui de dentro é que eu não me salvo.

Era um poço seco, um poço abandonado. Recordando o antigo uso, tinha na borda um balde, preso a uma corda de rodízio. A outra ponta da corda estava caída no fundo, aos pés da raposa.

– Se eu conseguisse trepar pela corda acima, estava garantida – pensou a raposa.

Tentou, mas só conseguiu soltar o balde que balançou, na outra extremidade, como um sino sem badalo.

Uma ovelha, despegada de um rebanho que pastava num monte perto, estranhou o barulho e o balde a baloiçar, na boca do poço, e foi espreitar. A raposa viu-lhe a cabeça felpuda e gritou-lhe:

– Senhora ovelha, ainda bem que a encontro. Quero partilhar consigo esta novidade. Encontrei aqui em baixo uma mina de água, que é a uma maravilha. Um milagre! Mal a bebemos, ficamos com asas. Tão leves, tão leves que nem passarinhos…

A parva da ovelha entusiasmou-se:

– Com asas? Quem me dera! Como posso provar dessa água milagrosa?

– Meta-se no balde, que está aí em cima, e venha ter comigo, antes que a água acabe.

A ovelha não pensou duas vezes. Atirou-se para dentro do balde, que desceu com o peso, puxando para cima a outra ponta da corda, onde vinha agarrada a raposa.

– Eu bem dizia que este poço dava asas – dizia a espertalhona, ao pôr os pés em chão seguro.

E fugiu daquela armadilha do destino, a rir-se da malvadez.

A ovelha baliu desesperada e humilhada com a sua tontice. Dar ouvidos a uma raposa, acreditar em água ou o que fosse que oferece asas a quem quer beber, que disparate, que estupidez!

Por tanta imbecilidade junta, mais merecia ela lá ficar no fundo do poço do que a raposa. A ovelha chorou, mas já não lhe valia de nada.

Vá que vá que ainda lhe valeu…

O pastor, quando foi a contar as ovelhas e deu pela falta de uma, foi procurá-la.

Chamado pelas lamúrias da ovelha, chegou-se à beira do poço e salvou-a a tempo.

Vá que vá que a história acabou em bem…

Mas nem sempre acabam assim…

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

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