• Texto original recuperado
  • Ilustração original recuperada
  • PDF recuperado
  • Áudio original em Flash
  • Narração sintetizada
Ilustração de abertura da história «O Cão e o Gato».

13 de Novembro

O Cão e o Gato

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

O cão e o gato não eram amigos, mas faziam de conta. Viviam ambos abrigados no casebre de uma pobre velha, que com eles repartia o pouco que tinha.

– Sejam amiguinhos. Sejam amiguinhos – estava sempre ela a dizer-lhes.

Pela comida e dormida os dois incorrigíveis inimigos aturavam-se. Que remédio.

Um dia, a velhota morreu. Vieram os filhos, vieram os netos e enxotaram-nos do casebre.

Cão e gato, tristes por terem perdido a sua protectora e o mínimo de conforto que ela lhes proporcionava, ficaram a rondar a casa, mas cada um para seu lado. "Sejam amiguinhos. Sejam amiguinhos", ainda lhes soava nos ouvidos.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Choveu. Fazia frio. Tiritantes e cheios de fome, acolheram-se a uma gruta. Era uma gruta muito comprida, tão comprida que eles se internaram por ela adentro, à procura nem sabiam de quê.

Cada vez mais fundo, cada vez mais longe do mundo que conheciam, foram ter a uma clareira iluminada. No meio, sentado nas pernas cruzadas, estava o Génio das Cavernas.

– Que querem de mim? – perguntou-lhes o Génio.

A bem dizer, eles não queriam nada a não ser um dono, comida, calor, carinho. Foi o que pediram.

– Concedido – disse-lhes o Génio. – Com uma única condição: cada um transforma-se no outro.

Eles, a princípio, nem entendiam a proposta, mas quando perceberam que o gato tinha de passar a cão e o cão, a gato, protestaram com toda a gana.

– Eu não quero ser cão – bufou o gato.

– Eu não quero ser gato – rosnou o cão.

Nada feito. Ou aceitavam a troca ou acabariam por morrer, à fome e ao frio.

Lá se resignaram à mudança, já que a alternativa também não era nada apetecível.

O Génio executou a magia e o gato passou para a pele de cão e o cão para a pele de gato. Esquisito.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Correram ambos na direcção da entrada da gruta, ainda assarapantados.

– Que cãozinho e que gatinho tão bonitos. Posso levá-los para casa? – perguntou uma menina ao pai.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

– Os cães e os gatos não se dão bem uns com os outros – apressou-se a explicar o pai.

– Mas estes dão-se. Tão juntinhos. Tão amigos – disse a menina.

Era verdade. Cada um olhava para o outro como se fosse ele próprio. Ora, como é que uma pessoa ou um bicho pode dar-se mal com ele mesmo?

E assim o gato-cão e o cão-gato arranjaram uma nova dona. À noite, enroscados um no outro, não se sabe onde começa o cão e acaba o gato. Fizeram-se, realmente amigos.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Até pode acontecer que, um dia, o Génio das Cavernas lhes devolva as respectivas identidades e o cão volte a ser cão e o gato volte a ser gato. Mas valerá a pena?

FIM

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para O Cão e o Gato
Ilustração original recuperada

O cão e o gato não eram amigos, mas faziam de conta. Viviam ambos abrigados no casebre de uma pobre velha, que com eles repartia o pouco que tinha.

– Sejam amiguinhos. Sejam amiguinhos – estava sempre ela a dizer-lhes.

Pela comida e dormida os dois incorrigíveis inimigos aturavam-se. Que remédio.

Um dia, a velhota morreu. Vieram os filhos, vieram os netos e enxotaram-nos do casebre.

Cão e gato, tristes por terem perdido a sua protectora e o mínimo de conforto que ela lhes proporcionava, ficaram a rondar a casa, mas cada um para seu lado. "Sejam amiguinhos. Sejam amiguinhos", ainda lhes soava nos ouvidos.

Choveu. Fazia frio. Tiritantes e cheios de fome, acolheram-se a uma gruta. Era uma gruta muito comprida, tão comprida que eles se internaram por ela adentro, à procura nem sabiam de quê.

Cada vez mais fundo, cada vez mais longe do mundo que conheciam, foram ter a uma clareira iluminada. No meio, sentado nas pernas cruzadas, estava o Génio das Cavernas.

– Que querem de mim? – perguntou-lhes o Génio.

A bem dizer, eles não queriam nada a não ser um dono, comida, calor, carinho. Foi o que pediram.

– Concedido – disse-lhes o Génio. – Com uma única condição: cada um transforma-se no outro.

Eles, a princípio, nem entendiam a proposta, mas quando perceberam que o gato tinha de passar a cão e o cão, a gato, protestaram com toda a gana.

– Eu não quero ser cão – bufou o gato.

– Eu não quero ser gato – rosnou o cão.

Nada feito. Ou aceitavam a troca ou acabariam por morrer, à fome e ao frio.

Lá se resignaram à mudança, já que a alternativa também não era nada apetecível.

O Génio executou a magia e o gato passou para a pele de cão e o cão para a pele de gato. Esquisito.

Correram ambos na direcção da entrada da gruta, ainda assarapantados.

– Que cãozinho e que gatinho tão bonitos. Posso levá-los para casa? – perguntou uma menina ao pai.

– Os cães e os gatos não se dão bem uns com os outros – apressou-se a explicar o pai.

– Mas estes dão-se. Tão juntinhos. Tão amigos – disse a menina.

Era verdade. Cada um olhava para o outro como se fosse ele próprio. Ora, como é que uma pessoa ou um bicho pode dar-se mal com ele mesmo?

E assim o gato-cão e o cão-gato arranjaram uma nova dona. À noite, enroscados um no outro, não se sabe onde começa o cão e acaba o gato. Fizeram-se, realmente amigos.

Até pode acontecer que, um dia, o Génio das Cavernas lhes devolva as respectivas identidades e o cão volte a ser cão e o gato volte a ser gato. Mas valerá a pena?

FIM

Ouvir

Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

Palavras da história

Voltar ao texto

Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. O texto foi recuperado do PDF original arquivado através da sua camada de texto. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

Página original arquivada
Ver no arquivo
PDF original
Abrir PDF recuperado