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Ilustração de abertura da história «O Barco de Papel».

12 de Novembro

O Barco de Papel

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Era uma vez um barco de papel, que se fez ao mar.

Barco de papel, no meio do mar, estão a ver o que lhe aconteceu… Escangalhou-se à primeira onda.

E regressou à praia. Estatelado na areia, era uma lástima vê-lo.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Andava por ali um jornalista, coleccionador de desastres e desgraças, que lhe perguntou:

– Senhor barco de papel, como se sente, depois da aventura?

O barco, todo amarrotado pelo desespero e a humilhação da derrota, esboçou um sorriso. Um sorriso de papel:

– O que sinto vê-se. Não lhe posso dizer mais nada.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Mas o jornalista insistiu:

– Atribui, porventura, o seu naufrágio a alguma causa em especial?

– À minha pouca prática, apenas – respondeu o barco de papel. – E pode escrever que também à minha falta de vocação.

O jornalista ainda:

– Falta de vocação? Interessante. Nesse caso, se pudesse ter voltado atrás, o que teria feito?

O barco de papel ou o que dele sobrara fugiu da pergunta, aproveitando o escorrega de uma onda, que descia da praia. Estava muito cansado o barco de papel. Mas o jornalista, molhando os sapatos, correu atrás dele:

– Não chegou a dizer-me, senhor barco de papel… Por favor, o que teria sido se pudesse voltar atrás?

De longe, quase desfeito, o barco respondeu:

– Avião de papel. É evidente. E hei-de conseguir.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

FIM

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para O Barco de Papel
Ilustração original recuperada

Era uma vez um barco de papel, que se fez ao mar.

Barco de papel, no meio do mar, estão a ver o que lhe aconteceu… Escangalhou-se à primeira onda.

E regressou à praia. Estatelado na areia, era uma lástima vê-lo.

Andava por ali um jornalista, coleccionador de desastres e desgraças, que lhe perguntou:

– Senhor barco de papel, como se sente, depois da aventura?

O barco, todo amarrotado pelo desespero e a humilhação da derrota, esboçou um sorriso. Um sorriso de papel:

– O que sinto vê-se. Não lhe posso dizer mais nada.

Mas o jornalista insistiu:

– Atribui, porventura, o seu naufrágio a alguma causa em especial?

– À minha pouca prática, apenas – respondeu o barco de papel. – E pode escrever que também à minha falta de vocação.

O jornalista ainda:

– Falta de vocação? Interessante. Nesse caso, se pudesse ter voltado atrás, o que teria feito?

O barco de papel ou o que dele sobrara fugiu da pergunta, aproveitando o escorrega de uma onda, que descia da praia. Estava muito cansado o barco de papel. Mas o jornalista, molhando os sapatos, correu atrás dele:

– Não chegou a dizer-me, senhor barco de papel… Por favor, o que teria sido se pudesse voltar atrás?

De longe, quase desfeito, o barco respondeu:

– Avião de papel. É evidente. E hei-de conseguir.

FIM

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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