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Ilustração de abertura da história «Salta a Pulga».

7 de Novembro

Salta a Pulga

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Vocês conhecem aquela cantilena: "Salta a pulga da balança e vai ter até à França... Os cavalos a correr, as meninas a aprender... Qual será a mais bonita que se vai esconder?"

Claro que conhecem.

Pois quando eu era assim mais ou menos da vossa idade gostava muito de ir até ao gabinete de trabalho do meu pai, sobretudo quando ele lá não estava.

Era uma divisão espaçosa, com muitos livros nas estantes. Nela reinava o silêncio e uma certa solenidade. Eu não desgostava.

Sobre a secretária do escritório, toda de tampo de vidro, havia, entre outros objectos atraentes, uma pequena balança de pesar cartas e volumes, antes de irem para o correio.

Debaixo do vidro transparente da secretária, um belo mapa da Europa, por onde eu me punha a passear os olhos, imaginando viagens... França, por exemplo. "Salta a pulga da balança e vai ter até à França..."

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Apeteceu-me fazer uma experiência.

Pedi emprestada uma pulga à minha cadela Balalaica, meti a pulga num frasquinho e, secretamente, fui ao escritório. Pus o frasco em cima do prato da tal balança. Sempre queria ver se, ao destapá-lo, e assim que dissesse as tais palavras mágicas, "Salta a pulga da balança...", a pulguinha daria com o caminho da França, o do mapa, já se vê.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Nisto, entrou o pai:

- Que estás aí a fazer, garoto? - perguntou-me ele.

- Estava a pesar este frasco - respondi eu, destapando-o.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

O meu pai era muito curioso, muito metediço...

- E o que tem dentro? - quis ele saber, quase a meter o nariz no frasco.

- Nada - respondi.

Não mentia. Realmente, o frasco já não tinha... O meu pai fez-me uma festa e disse, coçando a orelha:

- Agora o menino vai-se embora, porque estou cheio de pressa. Calcula que, por causa de uns negócios urgentes, tenho, hoje à tarde, de tomar o avião para Paris. Não estava nada a contar com esta viagem.

Nem a pulga... E foi assim que se concretizou o que a cantilena anunciava: saltou a pulga da balança e foi ter até à França...

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para Salta a Pulga
Ilustração original recuperada

Vocês conhecem aquela cantilena: "Salta a pulga da balança e vai ter até à França... Os cavalos a correr, as meninas a aprender... Qual será a mais bonita que se vai esconder?"

Claro que conhecem.

Pois quando eu era assim mais ou menos da vossa idade gostava muito de ir até ao gabinete de trabalho do meu pai, sobretudo quando ele lá não estava.

Era uma divisão espaçosa, com muitos livros nas estantes. Nela reinava o silêncio e uma certa solenidade. Eu não desgostava.

Sobre a secretária do escritório, toda de tampo de vidro, havia, entre outros objectos atraentes, uma pequena balança de pesar cartas e volumes, antes de irem para o correio.

Debaixo do vidro transparente da secretária, um belo mapa da Europa, por onde eu me punha a passear os olhos, imaginando viagens... França, por exemplo. "Salta a pulga da balança e vai ter até à França..."

Apeteceu-me fazer uma experiência.

Pedi emprestada uma pulga à minha cadela Balalaica, meti a pulga num frasquinho e, secretamente, fui ao escritório. Pus o frasco em cima do prato da tal balança. Sempre queria ver se, ao destapá-lo, e assim que dissesse as tais palavras mágicas, "Salta a pulga da balança...", a pulguinha daria com o caminho da França, o do mapa, já se vê.

Nisto, entrou o pai:

- Que estás aí a fazer, garoto? - perguntou-me ele.

- Estava a pesar este frasco - respondi eu, destapando-o.

O meu pai era muito curioso, muito metediço...

- E o que tem dentro? - quis ele saber, quase a meter o nariz no frasco.

- Nada - respondi.

Não mentia. Realmente, o frasco já não tinha... O meu pai fez-me uma festa e disse, coçando a orelha:

- Agora o menino vai-se embora, porque estou cheio de pressa. Calcula que, por causa de uns negócios urgentes, tenho, hoje à tarde, de tomar o avião para Paris. Não estava nada a contar com esta viagem.

Nem a pulga... E foi assim que se concretizou o que a cantilena anunciava: saltou a pulga da balança e foi ter até à França...

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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