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Ilustração de abertura da história «Ervilhas e Esmeraldas».

31 de Outubro

Ervilhas e Esmeraldas

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Andava um galo a depenicar num monte de nada, quando, escarva aqui, escarva ali, com as patas de ancinho, encontrou uma pedra preciosa. Era uma esmeralda.

– Antes fosse uma ervilha – comentou o galo. – De que me serve uma esmeralda, se não me enche o papo?

Andava um mineiro a explorar uma mina abandonada quando escarva aqui, escarva ali, com a pica, de mansinho, encontrou uma semente grelada. Era uma ervilha.

– Antes fosse uma esmeralda – comentou o mineiro. – De que me serve uma ervilha, se não me enche o saco?

E agora? Vamos trocar as voltas e dar a ervilha ao galo e a esmeralda ao mineiro? Mas como? Como é que eu me saio desta?

O caso está imbricado.

Mais imbricado ainda porque o galo, que costumava engolir pedrinhas para ajudar a trituração da comedoria (quando havia!), decidiu:

- Para mim esta esmeralda é uma pedra como as outras. Que marche para o papo - e engoliu a pedra preciosa.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Por sua vez, o mineiro, desanimado com a sua pouca sorte, restituiu a semente à terra, ao sair da mina. Enfiou-a por um buraquinho e tapou-a. Parece que, depois, a regou. Estava à rasquinha, não sei se me entendem…

Desculpem estes pormenores, mas, se não contar tudo tal e qual como aconteceu, a história não avança.

Avançou a germinação da ervilha, à entrada da mina. Choveu. Fez sol. O costume. A plantinha, passado tempo, transformou-se numa formosa ervilheira.

O galo, que não desistira de depenicar por montes e vales, deu com ela e ficou extasiado.

- Que rico almoço! - exclamou.

E começou a debicar as vagens da formosa ervilheira. Estava a meio da colheita, quando apareceu o mineiro, que tinha decidido voltar àquela mina, por descargo de consciência. Continuava em maré de azar.

Viu o galo e disse:

– Que rico almoço!

E agarrou-o pelo pescoço.

Depois, descobrindo a ervilheira, acrescentou:

– E vou guisá-lo com ervilhas.

Apavorado com a sentença, o pobre galo borrou-se todo.

– Sujaste-me as únicas calças que tenho, patife – indignou-se o mineiro, limpando-as. - Mas que é isto?

No meio dos dejectos, uma esmeralda.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Emocionado com a descoberta, o mineiro largou o galo, que aproveitou a deixa para se pôr a salvo.

Tudo voltara ao certo. O galo com ervilhas no papo. O mineiro com uma esmeralda no saco. Que alívio!

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Assim fosse tudo, sempre.

FIM

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para Ervilhas e Esmeraldas
Ilustração original recuperada

Andava um galo a depenicar num monte de nada, quando, escarva aqui, escarva ali, com as patas de ancinho, encontrou uma pedra preciosa. Era uma esmeralda.

– Antes fosse uma ervilha – comentou o galo. – De que me serve uma esmeralda, se não me enche o papo?

Andava um mineiro a explorar uma mina abandonada quando escarva aqui, escarva ali, com a pica, de mansinho, encontrou uma semente grelada. Era uma ervilha.

– Antes fosse uma esmeralda – comentou o mineiro. – De que me serve uma ervilha, se não me enche o saco?

E agora? Vamos trocar as voltas e dar a ervilha ao galo e a esmeralda ao mineiro? Mas como? Como é que eu me saio desta?

O caso está imbricado.

Mais imbricado ainda porque o galo, que costumava engolir pedrinhas para ajudar a trituração da comedoria (quando havia!), decidiu:

- Para mim esta esmeralda é uma pedra como as outras. Que marche para o papo - e engoliu a pedra preciosa.

Por sua vez, o mineiro, desanimado com a sua pouca sorte, restituiu a semente à terra, ao sair da mina. Enfiou-a por um buraquinho e tapou-a. Parece que, depois, a regou. Estava à rasquinha, não sei se me entendem…

Desculpem estes pormenores, mas, se não contar tudo tal e qual como aconteceu, a história não avança.

Avançou a germinação da ervilha, à entrada da mina. Choveu. Fez sol. O costume. A plantinha, passado tempo, transformou-se numa formosa ervilheira.

O galo, que não desistira de depenicar por montes e vales, deu com ela e ficou extasiado.

- Que rico almoço! - exclamou.

E começou a debicar as vagens da formosa ervilheira. Estava a meio da colheita, quando apareceu o mineiro, que tinha decidido voltar àquela mina, por descargo de consciência. Continuava em maré de azar.

Viu o galo e disse:

– Que rico almoço!

E agarrou-o pelo pescoço.

Depois, descobrindo a ervilheira, acrescentou:

– E vou guisá-lo com ervilhas.

Apavorado com a sentença, o pobre galo borrou-se todo.

– Sujaste-me as únicas calças que tenho, patife – indignou-se o mineiro, limpando-as. - Mas que é isto?

No meio dos dejectos, uma esmeralda.

Emocionado com a descoberta, o mineiro largou o galo, que aproveitou a deixa para se pôr a salvo.

Tudo voltara ao certo. O galo com ervilhas no papo. O mineiro com uma esmeralda no saco. Que alívio!

Assim fosse tudo, sempre.

FIM

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

Palavras da história

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