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Ilustração de abertura da história «História de 28 de Outubro».

28 de Outubro

História de 28 de Outubro

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Era uma vez um cavaleiro, desses que havia dantes, de lata por fora, fechados por dentro, e de comprida lança levantada, com uma bandeira na ponta, a flutuar ao vento… Estão a ver, não estão?

O cavalo que suportava este cavaleiro não tinha grande vocação para cavalarias altas.

"Se o meu dono dispensasse a armadura, até o caminho passava a ser mais macio."

Conversa de cavalo cansado…

Talvez o tivesse percebido o cavaleiro, porque à beira de um regato susteve a marcha do cavalicoque e apeou-se. Apetecia-lhe tomar um banho. Desfez-se da pesada armadura, enquanto o cavalo pastava, e foi procurar um sítio mais fundo, onde pudesse banhar-se a seu gosto.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

"Quem me dera que a história se ficasse por aqui", suspirava o cavalo, aliviado.

Uns meliantes, salteadores de estrada, que por ali estavam escondidos, viram o cavaleiro afastar-se e acharam que era boa altura para agir. Cobiçaram a armadura e cobiçaram o cavalo. Este, adivinhando-lhes as intenções, fugiu-lhes a tempo. Que levassem a armadura! Era da maneira que o resto da jornada menos custaria. Carregar um cavaleiro, sem a casca-carapaça de ferro e lata, valia por um passeio.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

De longe, o cavalo viu os ladrões alcançarem as peças da armadura para cima de um macho desgraçado. Teve um rebate. O dono tão desprevenido e ninguém que o avisasse. Só se ele, cavalo, tomado a brios… Mas para quê, se o assunto não era da sua conta? Ou seria? Afinal, talvez fosse…

O cavalo relinchou um alarme. Logo o cavaleiro, que deixara a espada na margem, se apercebeu do perigo. Agarrou no espadão e, mesmo nu e a pingar, saltou para o cavalo e fez frente aos salteadores, que fugiram, mais o macho, largando tudo, numa grande balbúrdia de lata amolgada.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Revestido de novo da sua vaidosa armadura, o cavaleiro, fincando os joelhos de ferro nos lados da montada, incitou-a a prosseguir caminho. Carregado ao peso do dever, o cavalo obedeceu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

FIM

António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.

Ilustração original recuperada para História de 28 de Outubro
Ilustração original recuperada

Era uma vez um cavaleiro, desses que havia dantes, de lata por fora, fechados por dentro, e de comprida lança levantada, com uma bandeira na ponta, a flutuar ao vento… Estão a ver, não estão?

O cavalo que suportava este cavaleiro não tinha grande vocação para cavalarias altas.

"Se o meu dono dispensasse a armadura, até o caminho passava a ser mais macio."

Conversa de cavalo cansado…

Talvez o tivesse percebido o cavaleiro, porque à beira de um regato susteve a marcha do cavalicoque e apeou-se. Apetecia-lhe tomar um banho. Desfez-se da pesada armadura, enquanto o cavalo pastava, e foi procurar um sítio mais fundo, onde pudesse banhar-se a seu gosto.

"Quem me dera que a história se ficasse por aqui", suspirava o cavalo, aliviado.

Uns meliantes, salteadores de estrada, que por ali estavam escondidos, viram o cavaleiro afastar-se e acharam que era boa altura para agir. Cobiçaram a armadura e cobiçaram o cavalo. Este, adivinhando-lhes as intenções, fugiu-lhes a tempo. Que levassem a armadura! Era da maneira que o resto da jornada menos custaria. Carregar um cavaleiro, sem a casca-carapaça de ferro e lata, valia por um passeio.

De longe, o cavalo viu os ladrões alcançarem as peças da armadura para cima de um macho desgraçado. Teve um rebate. O dono tão desprevenido e ninguém que o avisasse. Só se ele, cavalo, tomado a brios… Mas para quê, se o assunto não era da sua conta? Ou seria? Afinal, talvez fosse…

O cavalo relinchou um alarme. Logo o cavaleiro, que deixara a espada na margem, se apercebeu do perigo. Agarrou no espadão e, mesmo nu e a pingar, saltou para o cavalo e fez frente aos salteadores, que fugiram, mais o macho, largando tudo, numa grande balbúrdia de lata amolgada.

Revestido de novo da sua vaidosa armadura, o cavaleiro, fincando os joelhos de ferro nos lados da montada, incitou-a a prosseguir caminho. Carregado ao peso do dever, o cavalo obedeceu.

FIM

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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