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Ilustração de abertura da história «História de 24 de Outubro».

24 de Outubro

História de 24 de Outubro

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Era uma vez uma velha ferradura.

Um senhor encontrou-a, levantou-a do chão e meteu-a no bolso do sobretudo.

– É para dar sorte – disse o senhor de si para si, muito convencido do que dizia.

Quando chegou a casa e a mulher foi pendurar o sobretudo no cabide é que foram elas.

– Tens o sobretudo tão pesado, homem - intrigou-se ela.

O senhor explicou o porquê:

– É para dar sorte.

– Se dá sorte, não sei – repontou a ela. – O que sei é que o peso da ferradura rompeu o bolso do sobretudo. Tirá-la de dentro do forro vai ser o cabo dos trabalhos.

O senhor, pacientemente, recuperou a ferradura do sobretudo, que foi para coser, e pendurou-a num prego atrás da porta.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

– É para dar sorte.

No dia seguinte, ia ele a entrar em casa com a mulher, e a porta não se abriu. Porque seria, porque não seria… Tiveram de entrar em casa, a muito custo, por uma janela.

A ferradura tinha caído e entalara-se em cunha na porta, impedindo-a de abrir-se.

– Estou a ver que a ferradura só dá trabalhos – comentou a mulher.

O senhor não ligou e foi meter a ferradura numa gaveta:

– É para dar sorte.

Passado tempo, a mulher veio mostrar-lhe umas camisas todas manchadas:

– Puseste a maldita da ferradura na gaveta, encheu-se de ferrugem e deu cabo destas camisas. As melhores que tinhas…

Então o senhor aborreceu-se. Estava desiludido com a ferradura que só o metera em trabalhos.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

– Vou desfazer-me do raio da ferradura. Para dar sorte… – e atirou-a pela janela.

Por pouca sorte, a ferradura foi bater no capot de um automóvel que ia a passar. Pior seria se tivesse acertado em alguma cabeça. Mesmo assim amolgou o automóvel.

Veio o automobilista pedir explicações:

– Quem é a besta que anda a atirar os sapatos para o meio da rua?

O senhor, que achara a ferradura, teve de pedir muitas desculpas e pagar uma indemnização, para que o caso ficasse por ali. E para que a história acabasse aqui.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

FIM

António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.

Ilustração original recuperada para História de 24 de Outubro
Ilustração original recuperada

Era uma vez uma velha ferradura.

Um senhor encontrou-a, levantou-a do chão e meteu-a no bolso do sobretudo.

– É para dar sorte – disse o senhor de si para si, muito convencido do que dizia.

Quando chegou a casa e a mulher foi pendurar o sobretudo no cabide é que foram elas.

– Tens o sobretudo tão pesado, homem - intrigou-se ela.

O senhor explicou o porquê:

– É para dar sorte.

– Se dá sorte, não sei – repontou a ela. – O que sei é que o peso da ferradura rompeu o bolso do sobretudo. Tirá-la de dentro do forro vai ser o cabo dos trabalhos.

O senhor, pacientemente, recuperou a ferradura do sobretudo, que foi para coser, e pendurou-a num prego atrás da porta.

– É para dar sorte.

No dia seguinte, ia ele a entrar em casa com a mulher, e a porta não se abriu. Porque seria, porque não seria… Tiveram de entrar em casa, a muito custo, por uma janela.

A ferradura tinha caído e entalara-se em cunha na porta, impedindo-a de abrir-se.

– Estou a ver que a ferradura só dá trabalhos – comentou a mulher.

O senhor não ligou e foi meter a ferradura numa gaveta:

– É para dar sorte.

Passado tempo, a mulher veio mostrar-lhe umas camisas todas manchadas:

– Puseste a maldita da ferradura na gaveta, encheu-se de ferrugem e deu cabo destas camisas. As melhores que tinhas…

Então o senhor aborreceu-se. Estava desiludido com a ferradura que só o metera em trabalhos.

– Vou desfazer-me do raio da ferradura. Para dar sorte… – e atirou-a pela janela.

Por pouca sorte, a ferradura foi bater no capot de um automóvel que ia a passar. Pior seria se tivesse acertado em alguma cabeça. Mesmo assim amolgou o automóvel.

Veio o automobilista pedir explicações:

– Quem é a besta que anda a atirar os sapatos para o meio da rua?

O senhor, que achara a ferradura, teve de pedir muitas desculpas e pagar uma indemnização, para que o caso ficasse por ali. E para que a história acabasse aqui.

FIM

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