19 de Outubro
A Teia de Aranha
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
Eu tive de ir ao sótão procurar uns jornais antigos.
Como toda a gente sabe, o sótão é o lugar da casa que menos é limpo. Nunca se convida as visitas para ir ao sótão. Nunca se utiliza o sótão, cheio de baús, malas e caixotes, para dar festas de aniversário. Até talvez não fosse má ideia…
Eu a entrar no sótão, e a esbarrar com uma teia de aranha.
– Que falta de consideração – barafustou a aranha. – Uma teia que me deu tanto trabalho a fabricar!
– Foi sem querer. Desculpe – disse-lhe eu, um tanto encavacado.
– Quem estraga, arranja – gritou-me ela.
– Mas eu não sei tecer teias de aranha…
– Então, não tivesse rasgado. Quem estraga, arranja – insistiu ela.
Não tenho feito outra coisa. Pedi instruções a um tecelão, a uma bordadeira e a uma senhora que trabalha em malhas. Cada uma ensinou-me o que sabia e eu, mal ou bem, com uma agulha muito fininha e um fio de nylon ainda mais fino tenho passado os dias no sótão a cosipar a teia da dona aranha.
Com tantas responsabilidades na minha vida, tantas histórias para contar, e sucede-me a mim uma destas. Ainda se a aranha se calasse, mas não se cala:
– Quem estraga, arranja.
E sempre a desfazer do meu trabalho:
– Que falta de jeito. Que horror.
Mais dia, menos dia, também eu me enervo e mando a aranha contar histórias, em vez de mim. Sempre queria ver como é que dava conta do recado.
FIM
António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.
Eu tive de ir ao sótão procurar uns jornais antigos.
Como toda a gente sabe, o sótão é o lugar da casa que menos é limpo. Nunca se convida as visitas para ir ao sótão. Nunca se utiliza o sótão, cheio de baús, malas e caixotes, para dar festas de aniversário. Até talvez não fosse má ideia…
Eu a entrar no sótão, e a esbarrar com uma teia de aranha.
– Que falta de consideração – barafustou a aranha. – Uma teia que me deu tanto trabalho a fabricar!
– Foi sem querer. Desculpe – disse-lhe eu, um tanto encavacado.
– Quem estraga, arranja – gritou-me ela.
– Mas eu não sei tecer teias de aranha…
– Então, não tivesse rasgado. Quem estraga, arranja – insistiu ela.
Não tenho feito outra coisa. Pedi instruções a um tecelão, a uma bordadeira e a uma senhora que trabalha em malhas. Cada uma ensinou-me o que sabia e eu, mal ou bem, com uma agulha muito fininha e um fio de nylon ainda mais fino tenho passado os dias no sótão a cosipar a teia da dona aranha.
Com tantas responsabilidades na minha vida, tantas histórias para contar, e sucede-me a mim uma destas. Ainda se a aranha se calasse, mas não se cala:
– Quem estraga, arranja.
E sempre a desfazer do meu trabalho:
– Que falta de jeito. Que horror.
Mais dia, menos dia, também eu me enervo e mando a aranha contar histórias, em vez de mim. Sempre queria ver como é que dava conta do recado.
FIM
Imagens recuperadas
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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.
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