17 de Outubro
Trocas e Baldrocas
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
O Joca perdeu o apara-lápis. Perder não perdeu. Trocou.
Depois de ter trocado o apara-lápis por uma borracha novinha, por estrear, é que achou que tinha perdido com a troca.
Quis desfazer o negócio junto do Rodrigo, que lhe tinha ficado com o apara-lápis jeitoso, em forma de bota de esquiador.
– Dá-me outra vez o meu apara e fica com a tua borracha – disse ele ao Rodrigo.
– Já não o tenho – respondeu o Rodrigo. – Troquei-o por este caderninho com bandeiras na capa. Quem tem agora o teu apara-lápis é a Lurdes.
O Joca foi ter com a Lurdes, que estava a saltar à corda:
– Queres esta borracha nova pelo apara-lápis que era do Rodrigo?
– Sete…oito…nove…dez… – respondeu-lhe a Lurdes, sem deixar de saltar à corda.
– O apara-lápis já foi meu e queria que voltasse a ser…
– Onze…doze…treze…catorze…quinze – respondeu-lhe a Lurdes, sem deixar de saltar.
– Trocas ou não trocas?
– Dezasseis…dezassete…dezoito…dezanove…vinte.
E parou. Quase sem fôlego, a Lurdes respondeu ao Joca:
– Troquei o apara-lápis por esta corda. Quem o tem agora é a Fátima.
O Joca foi ter com a Fátima.
– Já não tenho. Troquei-o por um lugar, na aula, ao lado da minha amiga Filomena.
Mas quem estava sentado ao lado da Filomena era o Rodrigo, lembrou-se o Joca. Foi outra vez ter com o Rodrigo.
– Ainda tens o apara-lápis? – perguntou-lhe.
– Ia trocá-lo com o Zeca por um carrinho.
– Mas eu dava-te outra vez a borracha – apressou-se a dizer o Joca.
Então o Joca, com o coração muito apertado, foi buscar ao fundo da algibeira das calças um carro novo, que trouxera de casa pela primeira vez.
– Queres este? – perguntou o Joca ao Rodrigo.
Ele examinou-o cuidadosamente, experimentou-o no lajedo do recreio e concordou. Voltara o apara-lápis às mãos do Joca. Que alívio!
Mas virando as costas ao Rodrigo, o Joca começou a ter saudades do seu carrinho, que corria tão bem pelo corredor fora. E se voltasse atrás com o negócio? Volto não volto…
Volta ele, não voltamos nós a contar, que estas histórias de trocas e baldrocas são muito cansativas.
FIM
António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.
O Joca perdeu o apara-lápis. Perder não perdeu. Trocou.
Depois de ter trocado o apara-lápis por uma borracha novinha, por estrear, é que achou que tinha perdido com a troca.
Quis desfazer o negócio junto do Rodrigo, que lhe tinha ficado com o apara-lápis jeitoso, em forma de bota de esquiador.
– Dá-me outra vez o meu apara e fica com a tua borracha – disse ele ao Rodrigo.
– Já não o tenho – respondeu o Rodrigo. – Troquei-o por este caderninho com bandeiras na capa. Quem tem agora o teu apara-lápis é a Lurdes.
O Joca foi ter com a Lurdes, que estava a saltar à corda:
– Queres esta borracha nova pelo apara-lápis que era do Rodrigo?
– Sete…oito…nove…dez… – respondeu-lhe a Lurdes, sem deixar de saltar à corda.
– O apara-lápis já foi meu e queria que voltasse a ser…
– Onze…doze…treze…catorze…quinze – respondeu-lhe a Lurdes, sem deixar de saltar.
– Trocas ou não trocas?
– Dezasseis…dezassete…dezoito…dezanove…vinte.
E parou. Quase sem fôlego, a Lurdes respondeu ao Joca:
– Troquei o apara-lápis por esta corda. Quem o tem agora é a Fátima.
O Joca foi ter com a Fátima.
– Já não tenho. Troquei-o por um lugar, na aula, ao lado da minha amiga Filomena.
Mas quem estava sentado ao lado da Filomena era o Rodrigo, lembrou-se o Joca. Foi outra vez ter com o Rodrigo.
– Ainda tens o apara-lápis? – perguntou-lhe.
– Ia trocá-lo com o Zeca por um carrinho.
– Mas eu dava-te outra vez a borracha – apressou-se a dizer o Joca.
Então o Joca, com o coração muito apertado, foi buscar ao fundo da algibeira das calças um carro novo, que trouxera de casa pela primeira vez.
– Queres este? – perguntou o Joca ao Rodrigo.
Ele examinou-o cuidadosamente, experimentou-o no lajedo do recreio e concordou. Voltara o apara-lápis às mãos do Joca. Que alívio!
Mas virando as costas ao Rodrigo, o Joca começou a ter saudades do seu carrinho, que corria tão bem pelo corredor fora. E se voltasse atrás com o negócio? Volto não volto…
Volta ele, não voltamos nós a contar, que estas histórias de trocas e baldrocas são muito cansativas.
FIM
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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.
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