• Texto original recuperado
  • Ilustração original recuperada
  • PDF recuperado
  • Áudio original em Flash
  • Narração sintetizada
Ilustração de abertura da história «A Galinha Perdida».

14 de Outubro

A Galinha Perdida

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Esta galinha tinha-se distraído e avançara para longe do pátio do quintal. Bica aqui, bica acolá, à cata do escaravelho cascudo ou da minhoca tenra, perdera-se das companheiras e ai que desceu a noite.

Por prudência, não se aventurou por descaminhos, ao calhar, apesar de a Lua prometer boa companhia.

- Mais depressa chegarei amanhã, à primeira luz do alvorecer - disse de si para si a galinha. - Ainda se tivesse pintos à minha espera, arriscava, mas como os últimos que tive já cantam de galo, não me ralo.

Procurou poleiro num ramo alto de uma árvore e, lá chegada, aninhou-se, nem que estivesse em casa.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ela a fechar os olhos de sono, quando sentiu uma restolhada, na base do tronco. Por prudência, saltou para um ramo mais acima e esperou, de olhinho alerta.

Era a raposa, que farejava presa de apetite.

- Senhora galinha, onde está que não a enxergo?

- Estou onde estou e bem muito obrigada - respondeu a galinha, que não estava para conversas.

- O seu estado põe-me em cuidado - persistia a velhaca.

- Com esta aragem da noite, ainda apanha um resfriamento.

- Não se preocupe e vá à sua vida, senhora raposa.

- Preocupo-me e muito. Anda tanta humidade no ar, que não há melhor abrigo do que a capoeira. Quer que lhe indique o caminho?

A galinha nem respondeu.

Teimava a raposa:

- Além do mais há o perigo das cobras... Se fosse a si descia donde está.

A galinha nem tugiu.

- O que mais me aflige é a sua saúde. Aí em cima, parada ao frio, constipa-se, engripa-se, ganha febre... Não terá já?

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Sou capaz de ter - disse a galinha, só para dizer qualquer coisa.

- Então desça que eu lhe tiro a temperatura e ausculto e examino a garganta. Tenho estudos de medicina veterinária, não sabia?

- Desculpe, senhora raposa, mas eu só me consulto com o meu médico - disse a galinha, rindo-se por dentro.

- E quem é que a assiste, pode-se saber?

- É o Fiel, o cão da quinta, que eu mandei chamar e está aí não tarda.

A raposa alarmou-se:

- E ele virá?

- Já o oiço - disse a galinha.

- Sendo assim, vou-me embora eu, que não gosto de fazer concorrência a colegas de profissão.

E a raposa fugiu, de rabo entre as pernas.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Mais sossegada, a galinha escondeu a cabeça na asa e adormeceu. Nem sempre a raposa é a mais matreira...

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para A Galinha Perdida
Ilustração original recuperada

Esta galinha tinha-se distraído e avançara para longe do pátio do quintal. Bica aqui, bica acolá, à cata do escaravelho cascudo ou da minhoca tenra, perdera-se das companheiras e ai que desceu a noite.

Por prudência, não se aventurou por descaminhos, ao calhar, apesar de a Lua prometer boa companhia.

- Mais depressa chegarei amanhã, à primeira luz do alvorecer - disse de si para si a galinha. - Ainda se tivesse pintos à minha espera, arriscava, mas como os últimos que tive já cantam de galo, não me ralo.

Procurou poleiro num ramo alto de uma árvore e, lá chegada, aninhou-se, nem que estivesse em casa.

Ela a fechar os olhos de sono, quando sentiu uma restolhada, na base do tronco. Por prudência, saltou para um ramo mais acima e esperou, de olhinho alerta.

Era a raposa, que farejava presa de apetite.

- Senhora galinha, onde está que não a enxergo?

- Estou onde estou e bem muito obrigada - respondeu a galinha, que não estava para conversas.

- O seu estado põe-me em cuidado - persistia a velhaca.

- Com esta aragem da noite, ainda apanha um resfriamento.

- Não se preocupe e vá à sua vida, senhora raposa.

- Preocupo-me e muito. Anda tanta humidade no ar, que não há melhor abrigo do que a capoeira. Quer que lhe indique o caminho?

A galinha nem respondeu.

Teimava a raposa:

- Além do mais há o perigo das cobras... Se fosse a si descia donde está.

A galinha nem tugiu.

- O que mais me aflige é a sua saúde. Aí em cima, parada ao frio, constipa-se, engripa-se, ganha febre... Não terá já?

- Sou capaz de ter - disse a galinha, só para dizer qualquer coisa.

- Então desça que eu lhe tiro a temperatura e ausculto e examino a garganta. Tenho estudos de medicina veterinária, não sabia?

- Desculpe, senhora raposa, mas eu só me consulto com o meu médico - disse a galinha, rindo-se por dentro.

- E quem é que a assiste, pode-se saber?

- É o Fiel, o cão da quinta, que eu mandei chamar e está aí não tarda.

A raposa alarmou-se:

- E ele virá?

- Já o oiço - disse a galinha.

- Sendo assim, vou-me embora eu, que não gosto de fazer concorrência a colegas de profissão.

E a raposa fugiu, de rabo entre as pernas.

Mais sossegada, a galinha escondeu a cabeça na asa e adormeceu. Nem sempre a raposa é a mais matreira...

Ouvir

Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

Palavras da história

Voltar ao texto

Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. O texto narrativo foi recuperado da página HTML original arquivada. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

Página original arquivada
Ver no arquivo
PDF original
Pendente