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Ilustração de abertura da história «Quem Caça Quer Caça».

13 de Outubro

Quem Caça Quer Caça

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Eram três caçadores. Um vinha à frente, outro no meio e o terceiro atrás. Percorriam terras e terras à procura de caça. Que caçavam eles? Tudo o que lhes passasse diante do cano das espingardas. Tudo o que cheirasse a bicho.

Javalis, búfalos, panteras, tigres, elefantes, hipopótamos, crocodilos, hienas, lobos, lebres, coelhos, galinholas, perdizes, rolas, patos, pardais.

Mas pela região por onde se tinham metido, nada encontravam que se caçasse. Nem pulgas.

Dizia o primeiro caçador:

- Isto parece um deserto, colegas.

- Uma tristeza... Melhor seria desistirmos - dizia o segundo.

- Persistência, colegas! Onde está o vosso brio de caçadores? - perguntava o terceiro.

Eles não sabiam.

Só sabiam que andavam naquela teima, há muitas e muitas horas, com a sacola às costas, os cartuchos pendurados e a espingarda aos ombros.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- E se nós déssemos uns tiros para o ar? - propôs o primeiro caçador.

O segundo apoiou:

- Boa ideia, colega.

Sempre era uma forma de nos distrairmos.

O terceiro caçador cortou-lhes o entusiasmo:

- Não façam isso, que gastam cartuchos...

Os outros dois caçadores calaram-se. Tinham em muito respeito o terceiro caçador, o que vinha atrás de todos.

Andaram, andaram, até encontrarem à beira da estrada, muito sossegado, a ver quem passava, um coelhinho pequenino e inocente.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Mata-se! - disseram os três ao mesmo tempo.

- Mas qual de nós? - perguntou um deles a medo.

- Eu.

- Eu.

- Eu.

Discutiram. Perderam o respeito uns pelos outros.

- Eu vi-o primeiro.

- Eu sou o chefe.

- Eu sou o mais velho.

Entretanto, o coelhinho pequenino e inocente desapareceu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Onde está? Onde se meteu?

Olharam-se, desesperados, e como estavam furiosos, começaram a dar tiros para o ar, tiros ao desbarato. Pum! Pum! E mais Pum! Pum!

Quando tinham consumido o último cartucho, o coelhinho pequenino e inocente apareceu de novo, muito interessado em saber qual a razão de toda aquela barulheira.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para Quem Caça Quer Caça
Ilustração original recuperada

Eram três caçadores. Um vinha à frente, outro no meio e o terceiro atrás. Percorriam terras e terras à procura de caça. Que caçavam eles? Tudo o que lhes passasse diante do cano das espingardas. Tudo o que cheirasse a bicho.

Javalis, búfalos, panteras, tigres, elefantes, hipopótamos, crocodilos, hienas, lobos, lebres, coelhos, galinholas, perdizes, rolas, patos, pardais.

Mas pela região por onde se tinham metido, nada encontravam que se caçasse. Nem pulgas.

Dizia o primeiro caçador:

- Isto parece um deserto, colegas.

- Uma tristeza... Melhor seria desistirmos - dizia o segundo.

- Persistência, colegas! Onde está o vosso brio de caçadores? - perguntava o terceiro.

Eles não sabiam.

Só sabiam que andavam naquela teima, há muitas e muitas horas, com a sacola às costas, os cartuchos pendurados e a espingarda aos ombros.

- E se nós déssemos uns tiros para o ar? - propôs o primeiro caçador.

O segundo apoiou:

- Boa ideia, colega.

Sempre era uma forma de nos distrairmos.

O terceiro caçador cortou-lhes o entusiasmo:

- Não façam isso, que gastam cartuchos...

Os outros dois caçadores calaram-se. Tinham em muito respeito o terceiro caçador, o que vinha atrás de todos.

Andaram, andaram, até encontrarem à beira da estrada, muito sossegado, a ver quem passava, um coelhinho pequenino e inocente.

- Mata-se! - disseram os três ao mesmo tempo.

- Mas qual de nós? - perguntou um deles a medo.

- Eu.

- Eu.

- Eu.

Discutiram. Perderam o respeito uns pelos outros.

- Eu vi-o primeiro.

- Eu sou o chefe.

- Eu sou o mais velho.

Entretanto, o coelhinho pequenino e inocente desapareceu.

Onde está? Onde se meteu?

Olharam-se, desesperados, e como estavam furiosos, começaram a dar tiros para o ar, tiros ao desbarato. Pum! Pum! E mais Pum! Pum!

Quando tinham consumido o último cartucho, o coelhinho pequenino e inocente apareceu de novo, muito interessado em saber qual a razão de toda aquela barulheira.

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