• Texto original recuperado
  • Ilustração original recuperada
  • PDF recuperado
  • Áudio original em Flash
  • Narração sintetizada
Ilustração de abertura da história «O fogo e o leopardo».

26 de Setembro

O fogo e o leopardo

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Nos acampamentos, em África, à noite, há sempre uma fogueira acesa, que afasta as feras. Entre elas, o leopardo, que ganhou fama de ser de todos os animais ferozes o que mais medo tem do fogo. Porquê? Já vão saber.

No princípio do mundo ou um pouco mais para diante, o leopardo e o fogo visitavam-se muito, como bons amigos que eram.

Não. Não estou a ser rigoroso.

O leopardo visitava o fogo na sua caverna, sem que alguma vez o fogo tivesse retribuído a visita.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Um dia, o leopardo fez-lhe este reparo, um pouco amuado com a desconsideração. Respondeu-lhe o fogo:

- Eu nunca saio. Sou um desastrado e muito perigoso. Aqui, na minha caverna, sinto-me como um vulcão contido. Se sair, posso não ter mão em mim e causar estragos, mesmo sem querer.

Mas o leopardo tanto insistiu que o fogo acedeu. Recomendou-lhe, no entanto, que limpasse de ervas e ramos e folhas secas o caminho que ia da casa de um à casa do outro.

O leopardo, que era preguiçoso, não correspondeu com o rigor devido à recomendação que o fogo lhe tinha feito e aconteceu uma grande desgraça.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

O fogo, à confiança, saiu do seu esconderijo e mal deu os primeiros passos, ainda tímidos, na senda da floresta, que ele supunha varrida de folhas, propagou-se, alastrou e incendiou tudo em seu redor.

- Não tenho culpa. Não tenho culpa - gritava o fogo, assustado com a devastação que causava.

Mas nada podia fazer.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

O fogo incontrolável galgou planícies e montanhas e tudo arrasou à sua frente. O leopardo, que se dirigia ao seu encontro, teve de fugir, aterrorizado. Mas chamuscou-se, na fuga. Ainda se lhe notam as manchas das queimaduras na pele mosqueada, recordação do dia em que o fogo cometeu a imprudência de sair de casa.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Há que dizer, porém, que o primeiro culpado foi o leopardo, que não soube desbastar a mata seca da floresta como devia. O fogo, sozinho, nunca tem culpa.

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para O fogo e o leopardo
Ilustração original recuperada

Nos acampamentos, em África, à noite, há sempre uma fogueira acesa, que afasta as feras. Entre elas, o leopardo, que ganhou fama de ser de todos os animais ferozes o que mais medo tem do fogo. Porquê? Já vão saber.

No princípio do mundo ou um pouco mais para diante, o leopardo e o fogo visitavam-se muito, como bons amigos que eram.

Não. Não estou a ser rigoroso.

O leopardo visitava o fogo na sua caverna, sem que alguma vez o fogo tivesse retribuído a visita.

Um dia, o leopardo fez-lhe este reparo, um pouco amuado com a desconsideração. Respondeu-lhe o fogo:

- Eu nunca saio. Sou um desastrado e muito perigoso. Aqui, na minha caverna, sinto-me como um vulcão contido. Se sair, posso não ter mão em mim e causar estragos, mesmo sem querer.

Mas o leopardo tanto insistiu que o fogo acedeu. Recomendou-lhe, no entanto, que limpasse de ervas e ramos e folhas secas o caminho que ia da casa de um à casa do outro.

O leopardo, que era preguiçoso, não correspondeu com o rigor devido à recomendação que o fogo lhe tinha feito e aconteceu uma grande desgraça.

O fogo, à confiança, saiu do seu esconderijo e mal deu os primeiros passos, ainda tímidos, na senda da floresta, que ele supunha varrida de folhas, propagou-se, alastrou e incendiou tudo em seu redor.

- Não tenho culpa. Não tenho culpa - gritava o fogo, assustado com a devastação que causava.

Mas nada podia fazer.

O fogo incontrolável galgou planícies e montanhas e tudo arrasou à sua frente. O leopardo, que se dirigia ao seu encontro, teve de fugir, aterrorizado. Mas chamuscou-se, na fuga. Ainda se lhe notam as manchas das queimaduras na pele mosqueada, recordação do dia em que o fogo cometeu a imprudência de sair de casa.

Há que dizer, porém, que o primeiro culpado foi o leopardo, que não soube desbastar a mata seca da floresta como devia. O fogo, sozinho, nunca tem culpa.

Ouvir

Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

Voltar ao texto

Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Texto extraído das camadas HTML originais recuperadas. Imagens, PDF e áudio Flash são ficheiros locais do arquivo. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

Página original arquivada
Ver no arquivo
PDF original
Pendente