• Texto original recuperado
  • Ilustração original recuperada
  • PDF recuperado
  • Áudio original em Flash
  • Narração sintetizada
Ilustração de abertura da história «A Última Carta do Umbelino».

21 de Setembro

A Última Carta do Umbelino

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

J á há muito tempo que não tinha carta do macaco Umbelino. E andava em cuidados.

Como vocês se lembram, o Umbelino é um macaco aventureiro, que, depois de muitas trocas e baldrocas, foi correr mundo, com a viola no saco. Sofreu uns contratempos – num sítio ouviu um senhor dizer: "Macacos me mordam" e ele mordeu mesmo... Noutro sítio ouviu contar que uma senhora tinha macaquinhos no sótão e ele foi procurá-los... Desgraças.

Pois acabo de receber mais uma carta do Umbelino, com notícias frescas. Calculem que se estabeleceu com uma loja de barbeiro, isto é de cabeleireiro. A história que ele tem para contar começou, há que tempos, numa barbearia, bem podia acabar noutra barbearia. Mas não acabou, como vão ver.

A escolha da nova profissão teve uma origem. De uma vez em que ele andava sem saber as voltas que dar à vida, alguém, por desfastio, lhe dissera:

– Vá pentear macacos.

E ele foi. "Umbelino, cabeleireiro de macacos", lia-se em grandes letras, na portada do estabelecimento. Não tinha grande clientela. Por assim dizer, não tinha nenhuma. Os macacos não gostam de passar por macacos e as pessoas muito menos.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Mas, um dia, um sujeito com ar divertido passou pela loja, leu o letreiro, viu o Umbelino à porta, de bata branca, e desatou a rir-se. O macaco Umbelino estranhou a risota e perguntou ao senhor, com muito bons modos, o que se passava. O tal sujeito, entre risadas, só conseguiu responder:

– Um macaco cabeleireiro! Mas isso é o fim da macacada.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

"O fim da macacada...", ouviu distintamente o Umbelino. Muito aflito, despiu logo a bata, fechou a loja e desatou a correr. Se era o fim da macacada, o caso dizia-lhe respeito. Foge!

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Nunca mais o viram na cidade. Conta-me ele, agora, que se refugiou na selva, disfarçado de Tarzan. É assim mesmo que ele assina, numa caligrafia muito macaca – Umbelino Tarzan, o rei dos macacos. Se os outros macacos da tribo consentem, quem sou eu para o contrariar? Mas aqui para nós: Umbelino Tarzan, rei dos macacos, macacos me mordam, mas é mesmo o fim da macacada...

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.

Ilustração original recuperada para A Última Carta do Umbelino
Ilustração original recuperada

J á há muito tempo que não tinha carta do macaco Umbelino. E andava em cuidados.

Como vocês se lembram, o Umbelino é um macaco aventureiro, que, depois de muitas trocas e baldrocas, foi correr mundo, com a viola no saco. Sofreu uns contratempos – num sítio ouviu um senhor dizer: "Macacos me mordam" e ele mordeu mesmo... Noutro sítio ouviu contar que uma senhora tinha macaquinhos no sótão e ele foi procurá-los... Desgraças.

Pois acabo de receber mais uma carta do Umbelino, com notícias frescas. Calculem que se estabeleceu com uma loja de barbeiro, isto é de cabeleireiro. A história que ele tem para contar começou, há que tempos, numa barbearia, bem podia acabar noutra barbearia. Mas não acabou, como vão ver.

A escolha da nova profissão teve uma origem. De uma vez em que ele andava sem saber as voltas que dar à vida, alguém, por desfastio, lhe dissera:

– Vá pentear macacos.

E ele foi. "Umbelino, cabeleireiro de macacos", lia-se em grandes letras, na portada do estabelecimento. Não tinha grande clientela. Por assim dizer, não tinha nenhuma. Os macacos não gostam de passar por macacos e as pessoas muito menos.

Mas, um dia, um sujeito com ar divertido passou pela loja, leu o letreiro, viu o Umbelino à porta, de bata branca, e desatou a rir-se. O macaco Umbelino estranhou a risota e perguntou ao senhor, com muito bons modos, o que se passava. O tal sujeito, entre risadas, só conseguiu responder:

– Um macaco cabeleireiro! Mas isso é o fim da macacada.

"O fim da macacada...", ouviu distintamente o Umbelino. Muito aflito, despiu logo a bata, fechou a loja e desatou a correr. Se era o fim da macacada, o caso dizia-lhe respeito. Foge!

Nunca mais o viram na cidade. Conta-me ele, agora, que se refugiou na selva, disfarçado de Tarzan. É assim mesmo que ele assina, numa caligrafia muito macaca – Umbelino Tarzan, o rei dos macacos. Se os outros macacos da tribo consentem, quem sou eu para o contrariar? Mas aqui para nós: Umbelino Tarzan, rei dos macacos, macacos me mordam, mas é mesmo o fim da macacada...

Ouvir

Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

Voltar ao texto

Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

Página original arquivada
Pendente
PDF original
Pendente