19 de Setembro
Sol Poente
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
I a um homem a correr por uma extensa planície relvada, que nem cem campos de futebol, uns a seguir aos outros. Ia o homem a bom correr, mas não ia sozinho.
Atrás dele, resfolegande, de chifres curvados, um enorme boi. Aliás, um touro. O homem corria, corria, nem ele sabia para onde, gritando:
– Uma árvore! Socorro! Uma árvore!
Mas naquela planície não tinham plantado nenhuma, nem as árvores se deslocam donde estão, para socorrerem um pobre homem, a correr numa planície nua.
– Um buraco! Ao menos, um buraco! Socorro! – gritava o homem, quase no limite das suas forças.
Mas também não havia buracos, naquela planície lisa. Situação desesperante.
A sombra do homem e a sombra do touro deslizavam pelo chão, quase a tocarem-se. Alongavam-se uma e outra, cada vez mais estiradas pela planície, porque o Sol descia a olhos vistos e, daí a nada, iria desaparecer no horizonte.
– Se continuas a perseguir-me, roubo-te o Sol – gritou o homem, num último alento.
O touro não lhe deu ouvidos. Continuou a correr de cabeça baixa, atrás do homem. Nisto, o Sol escondeu-se, sem dizer sequer: "Até amanhã".
– Vês do que eu sou capaz? – gritou o homem, sem parar de correr.
As sombras do homem e do touro tinham sido engolidas pela penumbra. O touro estacou, atemorizado.
A uma prudente distância, o homem gritou-lhe:
– Se queres que eu te traga o Sol, outra vez, deixa-me seguir, sozinho, naquela direcção – e o homem apontava o sentido contrário ao Sol posto.
O touro, que já sentia falta do Sol, concordou. Então, o homem, num passo a fingir de seguro, caminhou, sem pressa, em direcção ao oriente. Salvara-se.
Na manhã seguinte, o Sol, tal como o homem tinha prometido, voltou a aquecer o touro e a planície, a perder de vista.
António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.
Ilustração original ainda não recuperada.
I a um homem a correr por uma extensa planície relvada, que nem cem campos de futebol, uns a seguir aos outros. Ia o homem a bom correr, mas não ia sozinho.
Atrás dele, resfolegande, de chifres curvados, um enorme boi. Aliás, um touro. O homem corria, corria, nem ele sabia para onde, gritando:
– Uma árvore! Socorro! Uma árvore!
Mas naquela planície não tinham plantado nenhuma, nem as árvores se deslocam donde estão, para socorrerem um pobre homem, a correr numa planície nua.
– Um buraco! Ao menos, um buraco! Socorro! – gritava o homem, quase no limite das suas forças.
Mas também não havia buracos, naquela planície lisa. Situação desesperante.
A sombra do homem e a sombra do touro deslizavam pelo chão, quase a tocarem-se. Alongavam-se uma e outra, cada vez mais estiradas pela planície, porque o Sol descia a olhos vistos e, daí a nada, iria desaparecer no horizonte.
– Se continuas a perseguir-me, roubo-te o Sol – gritou o homem, num último alento.
O touro não lhe deu ouvidos. Continuou a correr de cabeça baixa, atrás do homem. Nisto, o Sol escondeu-se, sem dizer sequer: "Até amanhã".
– Vês do que eu sou capaz? – gritou o homem, sem parar de correr.
As sombras do homem e do touro tinham sido engolidas pela penumbra. O touro estacou, atemorizado.
A uma prudente distância, o homem gritou-lhe:
– Se queres que eu te traga o Sol, outra vez, deixa-me seguir, sozinho, naquela direcção – e o homem apontava o sentido contrário ao Sol posto.
O touro, que já sentia falta do Sol, concordou. Então, o homem, num passo a fingir de seguro, caminhou, sem pressa, em direcção ao oriente. Salvara-se.
Na manhã seguinte, o Sol, tal como o homem tinha prometido, voltou a aquecer o touro e a planície, a perder de vista.
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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.
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Brincar
Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.
Recuperação
Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.
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