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Ilustração de abertura da história «A lebre Feliciana e o lobo glutão».

14 de Setembro

A lebre Feliciana e o lobo glutão

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

A lebre Feliciana estava a fazer um bolo, um bolo mesmo apetitoso, com erva-doce e outros preparos, que a gente não sabe, porque não conhece a receita.

Destinava-se o bolo a uma festa que a lebre Feliciana ia dar, no dia seguinte, a outras lebres e coelhos seus vizinhos.

Mas quem apareceu primeiro e sem ser convidado foi o lobo.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Vou-te comer - disse o lobo, que ia logo direito ao assunto.

A lebre ainda tentou fugir à questão:

- Ó senhor lobo, coma antes este lindo bolo, que eu guardei para vossa mercê.

- Está bem - concordou o lobo. - Desta vez, começo pela sobremesa.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

E, em duas dentadas, comeu o bolo.

- Agora, que já não tenho apetite, vou guardar-te para o jantar - disse o lobo, metendo a lebre num saco. - Tenho visitas lá em casa, que hão-de apreciar este pitéu.

Pôs o saco ao ombro e abalou.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Como o caminho era longo e sempre a subir, o lobo, a certa altura, resolveu descansar à sombra de uma árvore. Adormeceu.

Dentro do saco, a lebre pôs-se a vasculhar no avental que tinha posto para fazer o bolo e encontrou uma tesoura, uma agulha e um dedal.

"Espera, que já te arranjo, lobo lambão, glutão e paspalhão", murmurou a lebre.

Com a tesoura abriu uma fenda no saco, depois foi buscar uma grande pedra, meteu-a no saco e com a agulha e o dedal voltou a fechar o saco. E fugiu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Quando o lobo acordou e lançou o saco aos ombros, achou-o muito pesado.

- Está gordinha a lebre.

Que rico jantar! - exclamou ele.

Foi para casa, onde já estavam dois lobos amigos, e esfomeados.

- Trago-vos uma surpresa - disse o lobo. - Ponham a água ao lume no caldeirão, que já vão saber.

Quando a água estava a ferver, os lobos despejaram o saco na panela.

A pedra caiu, fez saltar a água em volta e os lobos - Ai! Ai! Ai! - queimaram-se.

Depois, os dois lobos visitantes, julgando que tinha sido uma partida armada pelo lobo dono da casa, atiraram-se a ele e desancaram-no. Ficou o lobo em muito mau estado.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Quem me mandou a mim meter-me com essa finória da lebre Feliciana - rematou o lobo, em jeito de conclusão desta história.

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para A lebre Feliciana e o lobo glutão
Ilustração original recuperada

A lebre Feliciana estava a fazer um bolo, um bolo mesmo apetitoso, com erva-doce e outros preparos, que a gente não sabe, porque não conhece a receita.

Destinava-se o bolo a uma festa que a lebre Feliciana ia dar, no dia seguinte, a outras lebres e coelhos seus vizinhos.

Mas quem apareceu primeiro e sem ser convidado foi o lobo.

- Vou-te comer - disse o lobo, que ia logo direito ao assunto.

A lebre ainda tentou fugir à questão:

- Ó senhor lobo, coma antes este lindo bolo, que eu guardei para vossa mercê.

- Está bem - concordou o lobo. - Desta vez, começo pela sobremesa.

E, em duas dentadas, comeu o bolo.

- Agora, que já não tenho apetite, vou guardar-te para o jantar - disse o lobo, metendo a lebre num saco. - Tenho visitas lá em casa, que hão-de apreciar este pitéu.

Pôs o saco ao ombro e abalou.

Como o caminho era longo e sempre a subir, o lobo, a certa altura, resolveu descansar à sombra de uma árvore. Adormeceu.

Dentro do saco, a lebre pôs-se a vasculhar no avental que tinha posto para fazer o bolo e encontrou uma tesoura, uma agulha e um dedal.

"Espera, que já te arranjo, lobo lambão, glutão e paspalhão", murmurou a lebre.

Com a tesoura abriu uma fenda no saco, depois foi buscar uma grande pedra, meteu-a no saco e com a agulha e o dedal voltou a fechar o saco. E fugiu.

Quando o lobo acordou e lançou o saco aos ombros, achou-o muito pesado.

- Está gordinha a lebre.

Que rico jantar! - exclamou ele.

Foi para casa, onde já estavam dois lobos amigos, e esfomeados.

- Trago-vos uma surpresa - disse o lobo. - Ponham a água ao lume no caldeirão, que já vão saber.

Quando a água estava a ferver, os lobos despejaram o saco na panela.

A pedra caiu, fez saltar a água em volta e os lobos - Ai! Ai! Ai! - queimaram-se.

Depois, os dois lobos visitantes, julgando que tinha sido uma partida armada pelo lobo dono da casa, atiraram-se a ele e desancaram-no. Ficou o lobo em muito mau estado.

- Quem me mandou a mim meter-me com essa finória da lebre Feliciana - rematou o lobo, em jeito de conclusão desta história.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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