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Ilustração de abertura da história «O sonho do Pompom».

12 de Setembro

O sonho do Pompom

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

O gato sonha? Decerto que sim. Se muito dorme, enrolado no fofo de si próprio, muito sonhará também.

A sonhar, percorre-o um arrepio que lhe eriça o pelo e os bigodes. Funga. Despontam as unhas das almofadas das patas, que estremecem. E por trás das pálpebras descidas, os olhos rolam, intranquilos.

Com que sonhará o gato preferido da Dona Micas?

Devagarinho, entremos no sonho do Pompom. Com licença, que não queremos incomodar.

Que balbúrdia! A guerra entre gatos vadios e gatos de casa posta e cestinho com cobertor e miminhos doces depois das refeições, a grande guerra dos gatos está no auge.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ainda algum vai cair do telhado. Que não seja o nosso gato, ao sonho do qual nós acabámos de chegar.

Não é, não. Ele comanda as hostes dos gatos domésticos, que estão a ganhar terreno. Das unhas como adagas, olhos quais faróis, atira-se aos magricelas que não têm eira nem beira. "Foge!", gritam os desgraçados, de orelhas a arder e lombos a sangrar.

- Vitória! Vitória! - cantam os gordalhufos gatos de colo, vendo debandar os inimigos.

Logo ali improvisam uma dança de roda que até a Lua se debruça donde está pendurada e pede às nuvens que passem mais depressa, pois não quer perder pitada da festa dos gatos, no telhado da Dona Micas.

- Pompom - chama a Dona Micas, numa voz de ternura.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- É a tua dona - lembram-lhe os outros gatos, provavelmente com inveja.

O nosso Pompom interrompe o baile dos guerreiros e infiltra-se por uma nesga da clarabóia.

- Pompom - volta a chamar a Dona Micas, cada vez mais ternurenta.

"É petisco", imagina o gato, guloso até mais não.

E acorda. Está onde sempre está e esteve, no conforto do sofá. A sério, a sério, o Pompom nunca pisou outro chão senão o de tapetes e alcatifas. Saltar para o telhado? Só em sonhos.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Pompom, meu Pompomzinho - chama a Dona Micas, da cozinha.

O gato gordo espreguiça-se para trás e para a frente, deixa-se cair do sofá e lá vai, no seu andar reboludo e enfadado, acudir ao chamamento da Dona Micas.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para O sonho do Pompom
Ilustração original recuperada

O gato sonha? Decerto que sim. Se muito dorme, enrolado no fofo de si próprio, muito sonhará também.

A sonhar, percorre-o um arrepio que lhe eriça o pelo e os bigodes. Funga. Despontam as unhas das almofadas das patas, que estremecem. E por trás das pálpebras descidas, os olhos rolam, intranquilos.

Com que sonhará o gato preferido da Dona Micas?

Devagarinho, entremos no sonho do Pompom. Com licença, que não queremos incomodar.

Que balbúrdia! A guerra entre gatos vadios e gatos de casa posta e cestinho com cobertor e miminhos doces depois das refeições, a grande guerra dos gatos está no auge.

Ainda algum vai cair do telhado. Que não seja o nosso gato, ao sonho do qual nós acabámos de chegar.

Não é, não. Ele comanda as hostes dos gatos domésticos, que estão a ganhar terreno. Das unhas como adagas, olhos quais faróis, atira-se aos magricelas que não têm eira nem beira. "Foge!", gritam os desgraçados, de orelhas a arder e lombos a sangrar.

- Vitória! Vitória! - cantam os gordalhufos gatos de colo, vendo debandar os inimigos.

Logo ali improvisam uma dança de roda que até a Lua se debruça donde está pendurada e pede às nuvens que passem mais depressa, pois não quer perder pitada da festa dos gatos, no telhado da Dona Micas.

- Pompom - chama a Dona Micas, numa voz de ternura.

- É a tua dona - lembram-lhe os outros gatos, provavelmente com inveja.

O nosso Pompom interrompe o baile dos guerreiros e infiltra-se por uma nesga da clarabóia.

- Pompom - volta a chamar a Dona Micas, cada vez mais ternurenta.

"É petisco", imagina o gato, guloso até mais não.

E acorda. Está onde sempre está e esteve, no conforto do sofá. A sério, a sério, o Pompom nunca pisou outro chão senão o de tapetes e alcatifas. Saltar para o telhado? Só em sonhos.

- Pompom, meu Pompomzinho - chama a Dona Micas, da cozinha.

O gato gordo espreguiça-se para trás e para a frente, deixa-se cair do sofá e lá vai, no seu andar reboludo e enfadado, acudir ao chamamento da Dona Micas.

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