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Ilustração de abertura da história «O Pato das Quatro Patas».

10 de Setembro

O Pato das Quatro Patas

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Era uma vez um pato que tinha quatro pernas ou patas. Duas à frente e duas atrás. Nascera assim, o que se havia de fazer.

A andar, atrapalhava-se um bocado. Trocava as pernas. Eram pernas a mais para um pato só.

Mas a nadar, zap, zap, zap, a pedalar com as quatro pernas dentro de água, levava todos de vencida.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Não era um pato de capoeira, não sei se disse. Era um pato bravo, um pato de arribação.

Quando chegou o tempo dos patos mudarem de ares, em busca de terras mais quentes, é que foram elas. O pato, mais pesado do que os outros, levantava voo mas subia pouco e cansava-se depressa.

– Vão vocês andando, que eu já lá chego – disse o pato aos companheiros.

O bando alçou-se aos ares e ele ficou a vê-los. Todas aquelas asas juntas produziam um zumbido alegre, que foi decrescendo até se deixar de ouvir.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

– Eles vão a voar e eu vou a nadar – decidiu o pato com quatro patas.

Desceu pelo rio que foi dar a outro rio que desembocou num grande rio que foi ter ao mar.

– Ena, que isto agora é a sério – dizia o pato, no meio das ondas salgadas. Se era! Ondas da altura de um prédio.

Ele nadar, nadava, mas avançava pouco. A bem dizer, não avançava nada, porque as ondas o empurravam para terra. Acabou por fazer-lhes a vontade.

Foi ter a uma praia nem muito quente nem muito fria. Cansadíssimo.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ali ficou que tempos, sozinho, como um náufrago.

– Isto não é vida – disse, um dia. – Já que não consigo ir onde eles foram, o melhor será voltar para donde vim.

E voltou. Ora a nado ora a pé. A voar, só de raro em raro.

Quando chegou à pateira donde todos tinham partido, vinha o bando dos patos bravos a regressar da sua longa ausência.

– Não chegaste a ir? – perguntaram-lhe os companheiros.

– Claro que fui – respondeu o pato das quatro patas. – Quando lá cheguei já vocês tinham partido e tive de voltar a nado, a toda a pressa, para os alcançar no regresso.

Era mentira e os outros patos sabiam-no, mas não quiseram desmenti-lo. Todos tinham em muito respeito aquele pato com quatro patas e só duas asas. E não se falou mais nisso.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Era uma vez um pato que tinha quatro pernas ou patas. Duas à frente e duas atrás. Nascera assim, o que se havia de fazer.

A andar, atrapalhava-se um bocado. Trocava as pernas. Eram pernas a mais para um pato só.

Mas a nadar, zap, zap, zap, a pedalar com as quatro pernas dentro de água, levava todos de vencida.

Não era um pato de capoeira, não sei se disse. Era um pato bravo, um pato de arribação.

Quando chegou o tempo dos patos mudarem de ares, em busca de terras mais quentes, é que foram elas. O pato, mais pesado do que os outros, levantava voo mas subia pouco e cansava-se depressa.

– Vão vocês andando, que eu já lá chego – disse o pato aos companheiros.

O bando alçou-se aos ares e ele ficou a vê-los. Todas aquelas asas juntas produziam um zumbido alegre, que foi decrescendo até se deixar de ouvir.

– Eles vão a voar e eu vou a nadar – decidiu o pato com quatro patas.

Desceu pelo rio que foi dar a outro rio que desembocou num grande rio que foi ter ao mar.

– Ena, que isto agora é a sério – dizia o pato, no meio das ondas salgadas. Se era! Ondas da altura de um prédio.

Ele nadar, nadava, mas avançava pouco. A bem dizer, não avançava nada, porque as ondas o empurravam para terra. Acabou por fazer-lhes a vontade.

Foi ter a uma praia nem muito quente nem muito fria. Cansadíssimo.

Ali ficou que tempos, sozinho, como um náufrago.

– Isto não é vida – disse, um dia. – Já que não consigo ir onde eles foram, o melhor será voltar para donde vim.

E voltou. Ora a nado ora a pé. A voar, só de raro em raro.

Quando chegou à pateira donde todos tinham partido, vinha o bando dos patos bravos a regressar da sua longa ausência.

– Não chegaste a ir? – perguntaram-lhe os companheiros.

– Claro que fui – respondeu o pato das quatro patas. – Quando lá cheguei já vocês tinham partido e tive de voltar a nado, a toda a pressa, para os alcançar no regresso.

Era mentira e os outros patos sabiam-no, mas não quiseram desmenti-lo. Todos tinham em muito respeito aquele pato com quatro patas e só duas asas. E não se falou mais nisso.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

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