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Ilustração de abertura da história «A biblioteca viva».

8 de Setembro

A biblioteca viva

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Era uma vez, na Roma antiga, um homem muito rico, que gostava de exibir a sua riqueza em festas fabulosas. Mas havia um inconveniente.

Como o ricaço tivesse pouca instrução, com dificuldade acompanhava as conversas dos seus convidados, que apreciavam falar de literatura e de outros assuntos desenvolvidos em livros, que ele desconhecia.

Apercebendo-se disso, ordenou ao governante do seu palácio que escolhesse uns tantos escravos inteligentes e de boa memória. Para quê? Para obrigar cada um deles a decorar um livro. Queria assim provar que os livros eram dispensáveis, desde que se dispusesse de escravos capazes de os saber de cor e salteado.

A aprendizagem dos escravos demorou, mas ao fim de algum tempo este homem muito rico podia orgulhar-se de possuir a única biblioteca viva de todo o Império romano.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Sempre que queria mostrar que não ficava atrás dos seus convidados mais cultos, o homem muito rico batia palmas e chamava, pelo nome da obra, o escravo que a tinha decorado. Tanto podia ser a "Ilíada", como a "Odisseia" ou a "Eneida". O escravo recitava-a, fosse do princípio, fosse do meio, fosse do fim para o princípio.

De uma vez, estava o homem muito rico à conversa com alguns poetas e escritores, e quis embasbacá-los.

- Conheço uma passagem da "Ilíada", que vem a propósito do que estávamos a conversar - disse ele, enquanto batia palmas - Chamem o "Ilíada".

Mas o escravo que sabia a "Ilíada" não apareceu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Que se passa? - perguntou o homem muito rico, estranhando a demora.

O governante do palácio, aflito, ajoelhou-se aos pés do seu exigente patrão e balbuciou:

- Perdoai-me, senhor, mas o "Ilíada" está com dores de barriga.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Parece que foi a partir deste incidente que o homem muito rico se resolveu a ganhar instrução pelos seus próprios meios.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para A biblioteca viva
Ilustração original recuperada

Era uma vez, na Roma antiga, um homem muito rico, que gostava de exibir a sua riqueza em festas fabulosas. Mas havia um inconveniente.

Como o ricaço tivesse pouca instrução, com dificuldade acompanhava as conversas dos seus convidados, que apreciavam falar de literatura e de outros assuntos desenvolvidos em livros, que ele desconhecia.

Apercebendo-se disso, ordenou ao governante do seu palácio que escolhesse uns tantos escravos inteligentes e de boa memória. Para quê? Para obrigar cada um deles a decorar um livro. Queria assim provar que os livros eram dispensáveis, desde que se dispusesse de escravos capazes de os saber de cor e salteado.

A aprendizagem dos escravos demorou, mas ao fim de algum tempo este homem muito rico podia orgulhar-se de possuir a única biblioteca viva de todo o Império romano.

Sempre que queria mostrar que não ficava atrás dos seus convidados mais cultos, o homem muito rico batia palmas e chamava, pelo nome da obra, o escravo que a tinha decorado. Tanto podia ser a "Ilíada", como a "Odisseia" ou a "Eneida". O escravo recitava-a, fosse do princípio, fosse do meio, fosse do fim para o princípio.

De uma vez, estava o homem muito rico à conversa com alguns poetas e escritores, e quis embasbacá-los.

- Conheço uma passagem da "Ilíada", que vem a propósito do que estávamos a conversar - disse ele, enquanto batia palmas - Chamem o "Ilíada".

Mas o escravo que sabia a "Ilíada" não apareceu.

- Que se passa? - perguntou o homem muito rico, estranhando a demora.

O governante do palácio, aflito, ajoelhou-se aos pés do seu exigente patrão e balbuciou:

- Perdoai-me, senhor, mas o "Ilíada" está com dores de barriga.

Parece que foi a partir deste incidente que o homem muito rico se resolveu a ganhar instrução pelos seus próprios meios.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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